Google promete dificultar comércio acadêmico

Em maio de 2007, a Google, principal site de buscas da internet, prometeu combater anúncios de venda de trabalhos acadêmicos. O dono de um dos sites que prestam esse tipo de serviço ironizou: "Voce acha mesmo que isso vai pegar?". E ele estava certo. Ainda hoje anúncios de vendas de trabalhos acadêmicos são facilmente encontrados no Google, quase do mesmo modo como verificou o jornal Visão Oeste quando da promessa da Google, na edição 196.


Precisa entregar um trabalho para conseguir o diploma na faculdade? Como diriam os humoristas do Casseta & Planeta, “seus problemas acabaram!”. Basta um computador com acesso à internet, uma busca no Google (o site de busca mais popular da web) digitando palavras como “monografia”, “TCC” ou “trabalhos prontos”, e aparecem inúmeros sites que podem “terceirizar” o serviço para você.

Mas, a partir de junho, essa facilidade tende a diminuir. A Google Inc., criadora do famoso site de busca, promete proibir anúncios de venda de trabalhos acadêmicos. A medida visa atender universidades do mundo inteiro, que reclamam à empresa de alunos que apresentam materiais comprados pela internet.

O doutor Jouberto Cavalcante, coordenador do curso de Direito da Faculdade Integração Zona Oeste (FIZO), diz que a medida é positiva e soma a ações que já vêm sendo adotadas pelo Ministério da Educação (MEC). “Está descarada a comercialização de trabalhos acadêmicos”, protesta. “A prática é imoral. Para o aluno, é a perda de oportunidade de aprender e, para os educadores, é frustrante.

Sites

Atualmente, são encontrados sites como monografiasfastonline.com, que promete garantia e qualidade sem plágio. O sosmonografia.com disponibiliza até supostos depoimentos com recomendações. Num deles, Andrey Silva, de São Paulo, dizia que havia tirado “nota 10 com louvor, aplausos e consideração da banca examinadora”, com um trabalho do tipo.Outro que disponibiliza o serviço é o texto10.com.

O diretor da faculdade da Fundação Instituto Tecnológico de Osasco (FITO), Olimpio Murilo Capeli, esclarece que a prática é “totalmente proibida no campo acadêmico. Se um orientador descobre, reprova o aluno”.

Para a coordenadora dos cursos de ciências da computação e tecnologia em análise e desenvolvimento de sistemas do Centro Universitário Fieo (Unifieo), a pessoa que compra um trabalho “dá sinal de que é incompetente”, diz. “O que adianta ser graduado, mestre, doutor, se você não sabe o que está fazendo?”.

“Você acha que isso vai pegar?”

O Visão Oeste fez a encomenda de uma monografia de medicina ao dono do site texto10.com, que diz se chamar Marcio Novaes. O valor cobrado foi R$ 850,00 à vista ou R$ 1,2 mil em duas vezes. Novaes afirmou que, normalmente, as encomendas são feitas “por falta de tempo dos alunos” e que sua empresa existe há 11 anos. Ele diz que a atividade “não é ilegal”, mas admite ser “imoral”.

Novaes garante não haver perigo. “Temos sigilo e originalidade. Mesmo que duas ou mais pessoas da mesma instituição peçam o mesmo trabalho, são feitos por equipes diferentes”. O Google promete que a proibição ocorrerá em seus sites de busca de todo o mundo. Novaes ironiza: “Você acha mesmo que isso vai pegar?”.

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