Apesar de ter se passado quase um ano, a entrevista do presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e Região, Jorge Nazareno, publicada na edição 190 do jornal Visão Oeste, em maio de 2007, continua atual.
Fernando Augusto e Leandro Conceição
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e Região, Jorge Nazareno, o Jorginho, é o único membro da região no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social do governo federal, em Brasília. Em entrevista ao Visão Oeste ele analisou os principais temas relativos às questões sindicais e trabalhistas do país e da concorrência dos produtos chineses com os brasileiros.
Qual a sua avaliação sobre o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social no primeiro mandato de Lula?
Criado em fevereiro de 2003, ele cumpre um papel de assessorar, contribuir com as discussões do governo nas mais variadas áreas e propor medidas em cada uma delas. Eu considero que ele tem conseguido cumprir esse papel. As discussões internas não têm caráter deliberativo. Depois das discussões, as propostas vão ao governo para sua implantação ou não, ou seu encaminhamento ou não. A discussão, por exemplo, da Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas surgiu dentro de um grupo de trabalho do conselho, ganhou um universo maior e hoje a lei está pronta. Muitas medidas que estão hoje no Programa de Aceleração do Crescimento surgiram ou foram discutidas no Conselho.
Como os sindicatos devem atuar diante do clamor por reformas que podem tirar direitos dos trabalhadores?
O que nós temos muito claro é que não se deve mexer nos direitos dos trabalhadores e vamos lutar por isso. No conselho, o presidente Lula disse que precisa fazer reformas, mas que, se não pode aumentar direitos, não vai tirá-los. Então está muito clara a posição do presidente. Agora, isso não quer dizer que a gente não possa discutir uma modernização da legislação trabalhista, sem mexer nos direitos dos trabalhadores.
Como combater os prejuízos gerados pela concorrência chinesa?
Se estabelecermos o parâmetro de que, para concorrer com a China, temos que ter o padrão chinês de relações sindicais, estaremos cometendo um crime contra qualquer organização sindical. A referência do movimento sindical não será a China, prefiro ter como referência a Europa. Cabe ao Estado, entre outros, verificar que tipo de relação econômica se mantém com a China. Tem muitos problemas, os maiores são contrabando, produtos que entram ilegalmente no país. Se combater isso, o produto pode chegar mais barato em alguns casos, mas não em todos. Temos que competir em qualidade, produtividade, mas não tendo como referência que os chineses trabalham por uma ‘cumbuca’ de arroz. Essa é uma regra. A outra é que tem que ter o mínimo de garantia para o nosso mercado interno.
Qual a importância da criação da Central Sindical Internacional, em novembro de 2006, reunindo sindicatos de mais de 100 países?
Leva tempo para ter um programa que atenda aos interesses dos trabalhadores no mundo inteiro, porque há interesses locais. Em alguns momentos vamos estar juntos em várias questões, mas em outras a gente pode ter nossas diferenças, porque cada um olha para seu país, para suas necessidades. A grande contribuição vai ser nas corporações que têm plantas no mundo todo. Por aí será possível estabelecer regras mínimas de salários, condições de trabalho, benefícios.
Quais devem ser os principais pontos de uma reforma sindical?
Precisamos estabelecer uma relação de forte representatividade dos trabalhadores. Não podemos continuar com a fragmentação dos sindicatos, como ocorre hoje, quando se criam sindicatos para todos os gostos, só que de pouca ou nenhuma representatividade. O reconhecimento das centrais sindicais vai permitir a interlocução das centrais por direitos. Com isso, o movimento sindical se fortalece em suas negociações. Os pontos principais, além do reconhecimento das centrais, são a forma de custeio da estrutura sindical, definição de representatividade, criação de um conselho que permita dirimir dúvidas de quem representa o quê, para que não haja disputa entre sindicatos. A representatividade deve se dar a partir do portão da empresa. Se a preponderância é, por exemplo, de químicos, todos os trabalhadores devem ser vinculados ao setor dos químicos.
Qual sua opinião sobre o FGTS ser usado para financiar obras de infra-estrutura?
Eu concordo, desde que haja uma regra clara de como esse recurso retornará ao FGTS. No mínimo, tem que garantir aquilo que ele já rende, porque senão não faz sentido. Se isso acontecer, não tenho nada contra.Considerando que esses investimentos, ao serem aplicados, seja em infra-estrutura, habitação ou alguma outra obra, vá gerar empregos, renda para os trabalhadores, evidente que não seríamos contrários. O que precisa estar claro é: esse dinheiro retorna? Quando? E com que remuneração?
Qual suas perspectivas para a eleição municipal de Osasco, em 2008?
O prefeito Emidio tem feito um bom governo. Osasco ainda tem características de personalidades muito fortes, a campanha do próximo ano seguramente será bastante acirrada. Mas o trabalho desempenhado pelo prefeito Emidio o credencia à reeleição.