Finasa Esportes comemora 20 anos

Matéria publicada na edição 236 do jornal Visão Oeste.


O Finasa Esportes comemorou 20 anos (cerca de 11 em Osasco) na terça-feira, 15, no ginásio José Liberatti, em Osasco, com o lançamento de um livro sobre a história do projeto e a apresentação da maquete de seu Centro Esportivo, que deve ser inaugurado em outubro, no Jardim Cipava.

Em parceria com a prefeitura, além do time adulto de vôlei (foto acima), o projeto mantém equipes de base dessa modalidade e basquete, além de 54 núcleos de formação (foto abaixo), que oferecem gratuitamente educação e noções de cidadania, saúde e bem-estar por meio do esporte a cerca de 3 mil meninas, cerca de 70% delas de famílias carentes.

“A parceria com o Finasa é vitoriosa na projeção do nome de Osasco para o Brasil inteiro e até fora do país e na promoção de inclusão social para milhares de meninas. Todos ganham”, avaliou o prefeito Emidio de Souza (PT).

O evento reuniu diversos nomes da história do projeto, desde a época em que era denominado BCN Esportes, como Magic Paula, do basquete, e, do vôlei, Ana Moser, Virna e Fernanda Venturini, além do técnico José Roberto Guimarães.

“Chega a ser algo pioneiro talvez até no mundo que, em algo que não seja futebol, uma empresa tenha permanecido tanto tempo no projeto e sempre na ponta”, destacou a ex-jogadora de basquete Paula.

Campeã Pan-Americana em 1991, em Havana e medalha de prata na Olimpíada de Atenas, em 1996, Magic Paula defendeu o extinto time profissional de basquete do então BCN/Osasco nos anos de 1999 e 2000, onde encerrou a carreira.

No último dia 19, o Finasa/Osasco perdeu a decisão da Superliga Feminina de Vôlei por 3 sets a 1 para o Rexona/Ades, do Rio de Janeiro. Foi a sétima decisão consecutiva da equipe osasquense na principal competição do vôlei nacional. O Finasa conquistou o tricampeonato da Superliga em 2002/2003, 2003/2004 e 2004/2005 e ficou com quatro vices.

Fotos: Luiz Pires/ZDL

Moradores debatem cidades no Orkut

Seja para protestar, debater, elogiar, conhecer “vizinhos” ou espalhar propagandas, os moradores das cidades da região Oeste usam o Orkut como aliado. No site de relacionamentos mais popular da internet, há pelo menos uma comunidade criada para cada um dos 12 municípios.

A maior delas é a de Osasco, com 34,7 mil membros. Em um dos milhares de tópicos postados desde que a comunidade “Osasco” foi criada, em 2004 (início da febre Orkut no Brasil), membros desabafam contra a implantação de pedágios no trecho Oeste do Rodoanel.

"Falta mulher"

Na “Embu das Artes, SP”, o tópico recente de maior sucesso é uma brincadeira que pergunta o bairro em que os membros vivem, com mais de 500 postagens. A comunidade tem 8,6 mil membros.

“Barueri” tem 8,3 mil participantes. Um dos tópicos debate um “Orkontro”, um encontro entre os membros da comunidade. A idéia já teve mais de 60 postagens de interessados.

Na “Taboão da Serra – oficial”, um tópico questiona os participantes sobre o que falta na cidade. Em 65 postagens, há reclamações por linhas de ônibus e áreas de lazer, entre outras, como a do jovem “Bira Louko”, de 19 anos, que protesta: “falta mulher mano” (sic). Já “Line”, 18, diz que faltam homens bonitos. A comunidade tem 7,7 mil membros.

“Cotia City” tem 7,5 mil participantes. Dos 177 votos em uma enquete sobre o que falta na cidade, 42% responderam um shopping com cinema. Na “Itapevi-SP”, com 6,1 mil membros, a paquera rola solta. O maior tópico, com 817 postagens, é a brincadeira “Lindo (a), bonitinho (a), pegável e nem f...!”, em que o participante dá sua avaliação em relação a outros membros.

Observação: matéria publicada na edição 201 do jornal
Visão Oeste.

Google promete dificultar comércio acadêmico

Em maio de 2007, a Google, principal site de buscas da internet, prometeu combater anúncios de venda de trabalhos acadêmicos. O dono de um dos sites que prestam esse tipo de serviço ironizou: "Voce acha mesmo que isso vai pegar?". E ele estava certo. Ainda hoje anúncios de vendas de trabalhos acadêmicos são facilmente encontrados no Google, quase do mesmo modo como verificou o jornal Visão Oeste quando da promessa da Google, na edição 196.


Precisa entregar um trabalho para conseguir o diploma na faculdade? Como diriam os humoristas do Casseta & Planeta, “seus problemas acabaram!”. Basta um computador com acesso à internet, uma busca no Google (o site de busca mais popular da web) digitando palavras como “monografia”, “TCC” ou “trabalhos prontos”, e aparecem inúmeros sites que podem “terceirizar” o serviço para você.

Mas, a partir de junho, essa facilidade tende a diminuir. A Google Inc., criadora do famoso site de busca, promete proibir anúncios de venda de trabalhos acadêmicos. A medida visa atender universidades do mundo inteiro, que reclamam à empresa de alunos que apresentam materiais comprados pela internet.

O doutor Jouberto Cavalcante, coordenador do curso de Direito da Faculdade Integração Zona Oeste (FIZO), diz que a medida é positiva e soma a ações que já vêm sendo adotadas pelo Ministério da Educação (MEC). “Está descarada a comercialização de trabalhos acadêmicos”, protesta. “A prática é imoral. Para o aluno, é a perda de oportunidade de aprender e, para os educadores, é frustrante.

Sites

Atualmente, são encontrados sites como monografiasfastonline.com, que promete garantia e qualidade sem plágio. O sosmonografia.com disponibiliza até supostos depoimentos com recomendações. Num deles, Andrey Silva, de São Paulo, dizia que havia tirado “nota 10 com louvor, aplausos e consideração da banca examinadora”, com um trabalho do tipo.Outro que disponibiliza o serviço é o texto10.com.

O diretor da faculdade da Fundação Instituto Tecnológico de Osasco (FITO), Olimpio Murilo Capeli, esclarece que a prática é “totalmente proibida no campo acadêmico. Se um orientador descobre, reprova o aluno”.

Para a coordenadora dos cursos de ciências da computação e tecnologia em análise e desenvolvimento de sistemas do Centro Universitário Fieo (Unifieo), a pessoa que compra um trabalho “dá sinal de que é incompetente”, diz. “O que adianta ser graduado, mestre, doutor, se você não sabe o que está fazendo?”.

“Você acha que isso vai pegar?”

O Visão Oeste fez a encomenda de uma monografia de medicina ao dono do site texto10.com, que diz se chamar Marcio Novaes. O valor cobrado foi R$ 850,00 à vista ou R$ 1,2 mil em duas vezes. Novaes afirmou que, normalmente, as encomendas são feitas “por falta de tempo dos alunos” e que sua empresa existe há 11 anos. Ele diz que a atividade “não é ilegal”, mas admite ser “imoral”.

Novaes garante não haver perigo. “Temos sigilo e originalidade. Mesmo que duas ou mais pessoas da mesma instituição peçam o mesmo trabalho, são feitos por equipes diferentes”. O Google promete que a proibição ocorrerá em seus sites de busca de todo o mundo. Novaes ironiza: “Você acha mesmo que isso vai pegar?”.

O quintal das artes


Cohab V, Carapicuíba. Bairro com muitas carências, como toda periferia. Mas no que depender da Associação Cultural Quintal Camaleão, uma coisa não falta: arte. E para todos os gostos, teatro, música, dança, artes plásticas, poesia...

“Os artistas, principalmente dos lugares mais humildes, não têm lugar para ensaiar. Nosso objetivo é fazer uma estrutura para esses grupos trabalharem”, diz a presidente da entidade, Vânia de Souza.

No Quintal Camaleão, a simplicidade e a falta de recursos são encaradas como convites à criatividade. Há improviso em todos os lugares, desde o palco feito com pallets de madeira doados e lona, ao estúdio onde ensaiam bandas, principalmente de rock. Tudo é montado com a participação dos membros do projeto e trabalho voluntário.

Para participar, os artistas pagam taxa mensal de R$ 10,00, destinada à manutenção do espaço. “Infelizmente não temos muito patrocínio. Os sócios são os grandes patrocinadores do projeto”, afirma Vânia. Hoje, são 150 associados, que podem usar o local sempre que quiserem. Somente em alguns casos é preciso agendar horário.

Oficinas

No Quintal existem também oficinas gratuitas ou a preços populares abertas a toda população. No momento são oferecidos cursos grátis de percussão, danças folclóricas, cordel e teatro, com o grupo osasquense Fênix. “O que nos atraiu ao projeto foi a força de vontade das pessoas, a simplicidade e o respeito com os artistas”, diz Newton Tavares Júnior, do Fênix.

“Muitos pensam que fazer teatro, mexer com arte é coisa só para rico, pois os cursos normais são muito caros. Queremos motivar todos a participarem”, diz Vânia. Para aulas de desenho, leitura de histórias e bateria, entre outras, é cobrada taxa de R$ 25.

No espaço também foi montada uma pequena biblioteca, aberta diariamente à comunidade. O Quintal realiza ainda eventos como palestras, shows e espetáculos, normalmente com entrada franca ou a preços acessíveis.

Observação: Na foto de Eduardo Metroviche, pinturas feitas no Quintal Camaleão. Matéria publicada na edição 212 do jornal Visão Oeste.

Moradores comemoram verão sem enchentes

Em janeiro de 2008 os moradores do Jardim Rochdale, na zona Norte de Osasco comemoram o fim das "tradicionais" enchentes de início de ano, principal período de chuvas. Matéria publicada na edição 222 do jornal Visão Oeste.

Avenida Brasil, Jardim Rochdale, zona Norte de Osasco. Chove forte na tarde de terça-feira, 15 de janeiro de 2008. Em seu bar, o comerciante José Joaquim Araújo continua tranqüilo a vender cervejas, refrigerante, amendoim... Do mesmo modo estão os clientes do bar e os moradores avistados nos portões das casas.


O que para muitos pode parecer uma cena banal do cotidiano é a realização de um sonho. Até o ano passado, ao menor sinal de chuva, Araújo e toda a população local se preparavam para evitar os prejuízos e limpar a sujeira deixada pelas constantes enchentes. A realidade mudou com a construção da canalização e o túnel do Braço Morto do Rio Tietê, inaugurados em novembro.


Para o comerciante, de 58 anos, esse foi o primeiro ano iniciado sem o drama das inundações com as chuvas de verão depois de 35 como morador da avenida Brasil. “Agora estamos sossegados. Antes, qualquer chuvinha inundava tudo. Hoje, pode chover o dia inteiro que não acontece nada”, comemora.


A obra foi realizada por meio de parceria entre a prefeitura e os governos estadual e federal. Foram investidos cerca de R$ 20 milhões em 1,4 quilômetro de canalização e um túnel de 420 metros, sob a avenida Presidente Kennedy e a rodovia Castelo Branco, fazendo a conexão com o rio Tietê.


Ribeirão Vermelho


A vazão do córrego, cujas cheias eram uma das principais causas de enchente na região, foi ampliada de sete metros cúbicos por minuto para 102 metros cúbicos por minuto nos picos da cheia.O sistema auxilia o trabalho dos piscinões antienchente do Rochdale e Bonança, que estão em funcionamento desde abril de 2007.


Morador da avenida Brasil há mais de 20 anos, o mecânico Roberto Guijarro diz que já sofreu muito com as enchentes. “Hoje, às vezes a gente fica dentro de casa e nem toma conhecimento das chuvas.” Apesar da empolgação dos moradores, a prefeitura alerta que a região não está totalmente livre de inundações.

Foto: Eduardo Metroviche

"Não se deve mexer nos direitos dos trabalhadores"

Apesar de ter se passado quase um ano, a entrevista do presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e Região, Jorge Nazareno, publicada na edição 190 do jornal Visão Oeste, em maio de 2007, continua atual.

Fernando Augusto e Leandro Conceição

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e Região, Jorge Nazareno, o Jorginho, é o único membro da região no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social do governo federal, em Brasília. Em entrevista ao Visão Oeste ele analisou os principais temas relativos às questões sindicais e trabalhistas do país e da concorrência dos produtos chineses com os brasileiros.

Qual a sua avaliação sobre o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social no primeiro mandato de Lula?
Criado em fevereiro de 2003, ele cumpre um papel de assessorar, contribuir com as discussões do governo nas mais variadas áreas e propor medidas em cada uma delas. Eu considero que ele tem conseguido cumprir esse papel. As discussões internas não têm caráter deliberativo. Depois das discussões, as propostas vão ao governo para sua implantação ou não, ou seu encaminhamento ou não. A discussão, por exemplo, da Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas surgiu dentro de um grupo de trabalho do conselho, ganhou um universo maior e hoje a lei está pronta. Muitas medidas que estão hoje no Programa de Aceleração do Crescimento surgiram ou foram discutidas no Conselho.

Como os sindicatos devem atuar diante do clamor por reformas que podem tirar direitos dos trabalhadores?
O que nós temos muito claro é que não se deve mexer nos direitos dos trabalhadores e vamos lutar por isso. No conselho, o presidente Lula disse que precisa fazer reformas, mas que, se não pode aumentar direitos, não vai tirá-los. Então está muito clara a posição do presidente. Agora, isso não quer dizer que a gente não possa discutir uma modernização da legislação trabalhista, sem mexer nos direitos dos trabalhadores.

Como combater os prejuízos gerados pela concorrência chinesa?
Se estabelecermos o parâmetro de que, para concorrer com a China, temos que ter o padrão chinês de relações sindicais, estaremos cometendo um crime contra qualquer organização sindical. A referência do movimento sindical não será a China, prefiro ter como referência a Europa. Cabe ao Estado, entre outros, verificar que tipo de relação econômica se mantém com a China. Tem muitos problemas, os maiores são contrabando, produtos que entram ilegalmente no país. Se combater isso, o produto pode chegar mais barato em alguns casos, mas não em todos. Temos que competir em qualidade, produtividade, mas não tendo como referência que os chineses trabalham por uma ‘cumbuca’ de arroz. Essa é uma regra. A outra é que tem que ter o mínimo de garantia para o nosso mercado interno.

Qual a importância da criação da Central Sindical Internacional, em novembro de 2006, reunindo sindicatos de mais de 100 países?
Leva tempo para ter um programa que atenda aos interesses dos trabalhadores no mundo inteiro, porque há interesses locais. Em alguns momentos vamos estar juntos em várias questões, mas em outras a gente pode ter nossas diferenças, porque cada um olha para seu país, para suas necessidades. A grande contribuição vai ser nas corporações que têm plantas no mundo todo. Por aí será possível estabelecer regras mínimas de salários, condições de trabalho, benefícios.

Quais devem ser os principais pontos de uma reforma sindical?
Precisamos estabelecer uma relação de forte representatividade dos trabalhadores. Não podemos continuar com a fragmentação dos sindicatos, como ocorre hoje, quando se criam sindicatos para todos os gostos, só que de pouca ou nenhuma representatividade. O reconhecimento das centrais sindicais vai permitir a interlocução das centrais por direitos. Com isso, o movimento sindical se fortalece em suas negociações. Os pontos principais, além do reconhecimento das centrais, são a forma de custeio da estrutura sindical, definição de representatividade, criação de um conselho que permita dirimir dúvidas de quem representa o quê, para que não haja disputa entre sindicatos. A representatividade deve se dar a partir do portão da empresa. Se a preponderância é, por exemplo, de químicos, todos os trabalhadores devem ser vinculados ao setor dos químicos.

Qual sua opinião sobre o FGTS ser usado para financiar obras de infra-estrutura?
Eu concordo, desde que haja uma regra clara de como esse recurso retornará ao FGTS. No mínimo, tem que garantir aquilo que ele já rende, porque senão não faz sentido. Se isso acontecer, não tenho nada contra.Considerando que esses investimentos, ao serem aplicados, seja em infra-estrutura, habitação ou alguma outra obra, vá gerar empregos, renda para os trabalhadores, evidente que não seríamos contrários. O que precisa estar claro é: esse dinheiro retorna? Quando? E com que remuneração?

Qual suas perspectivas para a eleição municipal de Osasco, em 2008?
O prefeito Emidio tem feito um bom governo. Osasco ainda tem características de personalidades muito fortes, a campanha do próximo ano seguramente será bastante acirrada. Mas o trabalho desempenhado pelo prefeito Emidio o credencia à reeleição.

Delegado ensina arte a crianças de Carapicuíba

Matéria publicada na edição 188 do jornal Visão Oeste, em abril de 2007.

Num pequeno ateliê, 70 crianças entre nove e 15 anos se divertem e aprendem a lidar com o que dificilmente teriam contato numa cidade carente como Carapicuíba, na Grande São Paulo: arte. É o projeto Vivendo Arte, implantado pelo delegado Wagner Lombisani, da delegacia seccional da Policia Civil no município.

A participação é gratuita. Os alunos aprendem a fazer pinturas, esculturas em madeira e mosaicos, entre outras modalidades de arte. A participação é espontânea. “Eles vêm porque têm interesse”, diz Lombisani.

O aprendizado desperta os sonhos da garotada. O de Marcela Simionato, de 13 anos, é “vender os quadros em Paris e ser uma pintora famosa”. Vitor Augusto Batista, de nove anos, conta que planeja ser “desenhista de gibis e pintar quadros”.

“Depois que comecei a participar do projeto, melhorei na escola e passaram a me elogiar”, orgulha-se Vitor. Segundo Marcela, o Vivendo Arte evita que ela fique na rua, onde “tem muita violência, drogas e coisas que não prestam”, diz.

Para Lombisani, “é muito gratificante poder proporcionar que crianças humildes tenham contato com a arte, o que dificilmente teriam”, orgulha-se.

Renda

As obras produzidas são colocadas à venda e a maior parte da arrecadação vai para o aluno. Uma porcentagem é destinada à compra de materiais para o ateliê.

Prova do sucesso do Vivendo Arte foi a última edição do prêmio Museu da Arte Jovem, em 2006. Foram inscritos 10 alunos do ateliê e três ficaram entre os 80 finalistas.

Projeto começou por acaso

Tudo começou em 1999, quando Lombisani, com problemas cardíacos, foi aconselhado pelo médico a fazer uma atividade em que para fugisse da rotina policial. Escolheu a pintura.

Em 2001, ele entrou na faculdade de artes plásticas (concluída em 2005). Depois, junto ao colega de faculdade Paulo Leonardo Gonçalves, montou um ateliê em frente à delegacia onde trabalha e começou o projeto Arte na Segurança Pública, para fazer obras que “colorissem as paredes cinzas e humanizassem as delegacias”, diz.

Enquanto pintavam, Lombisani e Paulo deixavam as portas do ateliê abertas. Crianças começaram a se interessar e eles passaram a ensiná-las. Assim, há cerca de dois anos e meio, o Arte na Segurança Pública se tornou Vivendo Arte. No início eram 15 alunos. Hoje são 70.

Lombisani tira do próprio bolso o pagamento do aluguel, água e luz do ateliê. O projeto conta com quatro voluntários. Doações só são aceitas em materiais como pincéis e telas, “para ter transparência”.

Foto: Eduardo Metroviche

Sonhos motivam jovens atletas

Meninas que sonham brilhar com a camisa do Finasa/Osasco, uma dos principais clubes de vôlei feminino do Brasil, que chegou à decisão das últimas sete Superligas e venceu três (em 2002/2003, 2003/2004 e 2004/2005). A matéria abaixo tem alterações que "atualizam" um pouco a original, publicada na edição 186 do jornal Visão Oeste, em abril de 2007.

Chegar ao time adulto do Finasa/Osasco e à seleção brasileira. São os grandes sonhos das meninas dos times de base da equipe osasquense. Elas se orgulham de ter passado pelo difícil processo seletivo de um dos melhores clubes de vôlei do país. “Jogar no Finasa é um orgulho para mim e minha família”, define a levantadora Francini, 17, do infanto-juvenil.

Em suas sete categorias de base, que vão dos 10 aos 19 anos, o Finasa tem 100 jogadoras nessa temporada. Elas foram selecionadas a partir das tradicionais peneiras ou mesmo indicações. Em peneira realizada em dezembro de 2006, foram avaliadas 354 atletas e apenas 17 ficaram no time.

As jovens atletas vindas de cidades distantes vivem em nove apartamentos de três quartos, divididos para as equipes de basquete e vôlei. Em cada um moram até seis atletas. Mayara, 18, ponteira do time juvenil, que veio do Curitiba (PR), a líbero Daniele, 16, do infanto-juvenil, de Sacramento (MJ) e Francini, de São Carlos (interior de São Paulo), estão entre elas.

As meninas admitem que os primeiros dias longe da família não são nada fáceis. “Até se acostumar á complicado”, diz Mayara. Supervisora técnica das equipes de base há 10 anos e técnica do juvenil, Irma Conrado explica que três senhoras cuidam das jogadoras nos apartamentos e o Finasa/Osasco disponibiliza uma equipe multidisciplinar com médicos, psicólogos e fisioterapeutas para acompanhar o desenvolvimento das meninas.

Inspiração

Entre revelações do Finasa/Osasco que servem de inspiração às meninas da base, está Paula Pequeno (foto), uma das melhores atacantes do país. Grande ídolo do time, Paula está no Finasa/Osasco há mais de 10 anos e jura amor à camisa. “A gente tem uma qualidade incrível aqui dentro, isso faz a gente ter cada vez mais compromisso com o time”, disse recentemente à reportagem do Visão Oeste.

Com a experiência de quem já revelou muitas jogadoras, a supervisora Irma Conrado diz que o segredo para as jogadoras alcançarem seus sonhos é “ter muita motivação. 70% depende delas”, avalia. “Precisa também de genética e treinamento, mas se não tiver motivação interna, não chega a lugar nenhum”.

Fotos: Eduardo Metroviche

Por um “Açougue” dos adversários

No dia 7 de fevereiro de 2007 fui à cidade de Santana de Parnaíba, na Região Metropolitana de São Paulo, de fusca com o grande fotógrafo e companheiro de trabalho Eduardo Metroviche entrevistar o boxeador Carlos "Açougue" Nascimento. Também chamado de "Açougueiro", ele havia sido campeão latino-americano na categoria médio-ligeiro (até 69.85 kg) duas semanas antes. Na entrevista ele contou um pouco de sua história de superação e o objetivo de conquistar o título mundial pela Organização Mundial de Boxe (OMB), que viria a ser frustrado em maio, com derrota por nocaute no 11º roud da luta contra o ucraniano Sergiy Dzinziruk, em Hamburgo, na Alemanha. A matéria abaixo foi publicada na edição 175 do jornal Visão Oeste.


Nascido no Rio de Janeiro, Carlos Nascimento, o Carlão, chegou a São Paulo com 18 anos para morar com o pai e trabalhar. Nunca tivera contato com o boxe e pesava 99 kilos. Hoje, aos 28, é o “Açougue” dos ringues, campeão latino-americano na categoria médio-ligeiro (até 69,85 Kg). Ele treina e vive em Santana de Parnaíba.

“Açougue”, também chamado de “Açougueiro”, está entre os 12 melhores lutadores do mundo pela Organização Mundial de Boxe (OMB). O apelido surgiu numa de suas primeiras lutas. “Fiz um açougue mesmo, o ring ficou lavado de sangue do adversário. Aí ficou Açougue”, explica.

O título latino-americano veio com o nocaute imposto ao argentino Arturo Rolando “La Pantera Negra” Gerez, no oitavo assalto, em 27 de janeiro (de 2007), na cidade de Pedro de Toledo, litoral sul do Estado. “Foi uma emoção muito grande, minha família lá no Rio de Janeiro está toda em alvoroço, esperando eu chegar lá para festejar comigo”, comemora.

Carlão quer conquistar o título mundial da categoria médio-ligeiro da OMB. Em apenas dois anos, foi bicampeão brasileiro e campeão ibero-americano na categoria médio (até 72,5 kg). Venceu todas as suas 17 lutas como profissional: 14 por nocaute.

"Cheio de raiva"

Carlão já era brigão, “cheio de raiva”, antes de entrar para o boxe. “Um dia tinha um pão, no outro não, um dia tinha um ovo, outro não. No dia-a-dia, morria sempre um amigo. A gente fica revoltado, acaba fazendo umas coisas erradas”, conta sobre sua juventude no Rio de Janeiro.

Em São Paulo, há seis anos foi convidado por uns amigos para assistir a uma luta do ex-campeão sul-americano Adilson “Maguila” Rodrigues. Lá, conheceu por acaso o empresário Eduardo Mello, o seu Edu, que o convidou para treinar boxe em Santana de Parnaíba. Mas problemas particulares adiaram o sucesso e ele foi morar em Curitiba por oito meses. Na volta, pediu ajuda ao empresário. “Ele me dava um dinheiro todo mês e eu ia treinando, aí passei a morar aqui em Santana de Parnaíba, considerada a capital brasileira do boxe”.

Depois de vencer um torneio representando a cidade, em 2004 o lutador passou a ter o apoio da Secretaria Municipal de Atividades Físicas Esporte e Lazer (SMAFEL) e começou a lutar como profissional.

Foto: Eduardo Metroviche

38 anos da Feira de Embu

Os 38 anos da tradicional Feira de Artes e Artesanato da cidade de Embu das Artes (que em 2008 completou 39 anos). Belíssima feira, vale a pena conferir! Matéria publicada em fevereiro de 2007, na edição 174 do jornal Visão Oeste.

A Feira de Artes e Artesanato começou em 31 de janeiro de 1969, com alguns hippies que expunham os trabalhos em plásticos no chão, aos sábados, no Largo dos Jesuítas. Hoje é uma dos maiores eventos do gênero no Estado.

Ao longo de 12 ruas e vielas do Centro Histórico, em uma área de cerca de 36 mil metros quadrados, mais de 600 expositores mostram seu trabalho, principalmente nos fins de semana e feriados, quando atraem entre 10 mil e 20 mil visitantes de várias cidades do Brasil e até do mundo, segundo a Secretaria Municipal de Turismo.

Os produtos e preços são diversos: sandálias, brinquedos, esculturas, móveis em madeira, quadros, camisetas, vestidos, todo tipo de artesanato.

Um dos artesãos é Ayrton Duarte, 51. Formado em administração, “abandonou” o diploma depois que começou a se interessar pelo artesanato. Aprendeu sozinho a fazer anéis e brincos de prata, que fabrica no atelier de sua casa, em Itatuba, no Embu, e vende há 20 anos. “É um meio de subsistência para muita gente e um excelente atrativo aos turistas”, diz.

“Sempre venho aqui [na feira]. Além de oferecer produtos diferenciados, pois são artesanais, o local é muito gostoso”, elogia a secretária Alaír Leôncio, de Osasco. A assistente administrativa Tina de Carvalho viajou de Cruzeiro, interior de São Paulo, para conhecer. "Valeu a pena, a feira é incrível. Em breve pretendo comprar móveis para minha casa aqui."

O evento é administrado por um conselho gestor em parceria com a Secretaria de Turismo, tem uma legislação própria e regulamento interno.

Ray, um dos pioneiros

O pintor Raimundo Emídio Rodrigues, o Ray, 59, foi um dos pioneiros na Feira de Artes e Artesanato de Embu. Ele conta que a história da Feira começou na Praça da República, no centro de São Paulo. “No início dos anos 60, as classes média e pobre não tinham acesso à arte. Na Praça da República, alguns artistas hippies deixaram os ateliês e foram às ruas. Isso foi uma revolução artística”, explica.

“Embu já era uma cidade de artes, havia o [ceramista] Sakai, o [escultor] Assis etc”. Ray conta que Assis conheceu a Feira e convidou os hippies para expor em Embu aos sábados. No inicio, era em frente ao Museu da Arte Sacra, no Largo dos Jesuítas. Os artistas expunham em plásticos no chão. “Você chegava, expunha, dormia na calçada e domingo ia à Praça da República”.

Anos depois, artistas passaram – inclusive latino-americanos fugindo das ditaduras em seus países – a morar na cidade e expor também aos domingos. “Aprendemos muito com nossos irmãos latinos”, diz Ray.

Foto: Joice Oliveira

Barueri divide torcedores da cidade

Matéria sobre os moradores de Barueri em relação ao fato de ter o time da cidade pela primeira vez disputando com os grandes do estado no Campeonato Paulista, em 2007. Publicada em fevereiro do ano passado na edição 173 do jornal Visão Oeste.


A chegada do Grêmio Barueri à elite do campeonato Paulista divide o coração dos torcedores da cidade e os une em uma só torcida. A resposta à pergunta “qual seu time do coração?” é quase sempre o nome de um dos grandes do estado, acrescida de um sonoro “e Barueri”.

O torcedor mais ilustre é o prefeito Rubens Furlan (PMDB). Santista roxo, ele já se confessou dividido entre o Peixe e o time da cidade. Para alguns, o clube local é esperança após anos de frustrações. Caso do palmeirense Ramon Gonçalves Pereira, de 18 anos. “Sou Verdão e Barueri, mas pelo que estou vendo, logo vou deixar de torcer pelo Palmeiras e ficar só com o Barueri”, diz ele.

O são-paulino Roberto Carvalho, de 39, é GRB quando ele não joga contra o São Paulo. “Quando os dois se enfrentarem, quem ganhar pra mim está bom”. Já com o corintiano Valdemar de Souza, 63, não tem conversa: “Também torço para o Grêmio. Mas se jogar com o Corinthians, fico com meu Timão”.

Organizada

O clube já tem até torcida organizada: a Guerreiros Barueri, fundada em 26 de março de 2005 e hoje com 190 cadastrados. “Acompanhávamos todos os jogos, só que era muito parado. Então, cerca de dez, 15 pessoas tiveram a idéia de criar a organizada. Compramos instrumentos, bandeira. O nome é inspirado na forma guerreira que o time jogava”, relembra o presidente da organizada, Fernando Fernandes, ex-palmeirense.

Por meio da assessoria do clube, o presidente Walter Sanches afirmou que “a estratégia para se construir uma torcida cada vez mais forte é seguir fazendo um bom trabalho dentro e fora de campo. Somente após anos com muitas vitórias, poderemos criar uma geração de torcedores”. A média de público nos jogos do Barueri como mandante na Série C do Brasileiro 2006 foi de 705.

Camisa vende mais que as dos grandes

“Desde a estréia no Paulistão, a camisa do Barueri (que custa cerca de R$ 90,00) está vendendo mais que a dos times grandes. Praticamente só estamos vendendo a camisa do Barueri”, comemora Elaine Marques, gerente de uma loja de calçados e materiais esportivos no centro da cidade.

“Todo mundo torce pelo time da cidade, quer ver o município representado. Mas, para nós, também as vendas são importantes”, diz.


Fotos: Flávio Costa