
Nascido no Rio de Janeiro, Carlos Nascimento, o Carlão, chegou a São Paulo com 18 anos para morar com o pai e trabalhar. Nunca tivera contato com o boxe e pesava 99 kilos. Hoje, aos 28, é o “Açougue” dos ringues, campeão latino-americano na categoria médio-ligeiro (até 69,85 Kg). Ele treina e vive em Santana de Parnaíba.
“Açougue”, também chamado de “Açougueiro”, está entre os 12 melhores lutadores do mundo pela Organização Mundial de Boxe (OMB). O apelido surgiu numa de suas primeiras lutas. “Fiz um açougue mesmo, o ring ficou lavado de sangue do adversário. Aí ficou Açougue”, explica.
O título latino-americano veio com o nocaute imposto ao argentino Arturo Rolando “La Pantera Negra” Gerez, no oitavo assalto, em 27 de janeiro (de 2007), na cidade de Pedro de Toledo, litoral sul do Estado. “Foi uma emoção muito grande, minha família lá no Rio de Janeiro está toda em alvoroço, esperando eu chegar lá para festejar comigo”, comemora.
Carlão quer conquistar o título mundial da categoria médio-ligeiro da OMB. Em apenas dois anos, foi bicampeão brasileiro e campeão ibero-americano na categoria médio (até 72,5 kg). Venceu todas as suas 17 lutas como profissional: 14 por nocaute.
"Cheio de raiva"
Carlão já era brigão, “cheio de raiva”, antes de entrar para o boxe. “Um dia tinha um pão, no outro não, um dia tinha um ovo, outro não. No dia-a-dia, morria sempre um amigo. A gente fica revoltado, acaba fazendo umas coisas erradas”, conta sobre sua juventude no Rio de Janeiro.
Em São Paulo, há seis anos foi convidado por uns amigos para assistir a uma luta do ex-campeão sul-americano Adilson “Maguila” Rodrigues. Lá, conheceu por acaso o empresário Eduardo Mello, o seu Edu, que o convidou para treinar boxe em Santana de Parnaíba. Mas problemas particulares adiaram o sucesso e ele foi morar em Curitiba por oito meses. Na volta, pediu ajuda ao empresário. “Ele me dava um dinheiro todo mês e eu ia treinando, aí passei a morar aqui em Santana de Parnaíba, considerada a capital brasileira do boxe”.
Depois de vencer um torneio representando a cidade, em 2004 o lutador passou a ter o apoio da Secretaria Municipal de Atividades Físicas Esporte e Lazer (SMAFEL) e começou a lutar como profissional.
Foto: Eduardo Metroviche

Nenhum comentário:
Postar um comentário