Música para o futuro

O jovem Jean Willy de Souza, de 17 anos, passou a semana ansioso, ensaiando no saxofone para o teste que fará neste sábado, a fim de tentar entrar em um grupo de chorinho. Pode ser o primeiro passo rumo a seu sonho de um dia fazer parte de um grande grupo de jazz.

Ele não cultivou esse sonho desde a infância. Há seis anos Jean se tornou um dos alunos de música na ONG Músicos do Futuro, em Taboão da Serra. “Não tinha nada para fazer”, diz. Chegou a fim de tocar trompete. “Mas quando vi o sax, foi amor à primeira vista.”

Jean é um dos 166 alunos que a Músicos do Futuro atende atualmente. O projeto surgiu em 1996, com o maestro Edison Ferreira. O objetivo é preparar crianças e jovens para se tornarem músicos profissionais.

“Damos as ferramentas e condições para que aprendam a estudar”, diz Ferreira. “A partir do momento em que se informa, se educa, a inclusão social é uma conseqüência.”

Os cursos envolvem teoria e prática, são gratuitos (pais colaboram quando podem) e chegam a durar dez anos, como o de piano. Alguns dos outros cursos oferecidos são trombone, trompete, violino, violoncelo, violão popular, erudito e clarinete.

As inscrições para crianças e jovens de 7 a 15 anos são abertas a cada seis meses. A idade é estipulada porque estudar música exige dedicação quase em tempo integral, o que dificilmente é viável para pessoas com idade de trabalhar.

Mais de 1.200 jovens foram atendidos nos 12 anos do projeto, segundo Ferreira. Cerca de 40 tocam atualmente em grandes orquestras e são exemplos para jovens como Miquéias Leme de Souza, de 11 anos, que toca trompete. “Sonho ser músico profissional, participar de uma grande orquestra.”

Aprendizado
A ONG é aberta o dia todo aos alunos e tem ainda uma biblioteca e uma horta, onde eles plantam parte do que é servido nas refeições oferecidas. Outra iniciativa é o incentivo à reciclagem.

Os jovens afirmam que o aprendizado nas aulas de música e iniciativas da ONG é evidenciado na mudança de postura pessoal. “Aprendi a ser mais respeitador, disciplinado nos estudos para ser alguém na vida”, atesta Jean. Miquéias diz o mesmo: “Fiquei mais atencioso, mais disciplinado”.

Maestro sonha com conservatório

Os “músicos do futuro” costumam se apresentar em concertos em shoppings, teatros e espaços culturais, mas a prioridade são os concertos pedagógicos, nas escolas. “As crianças só vão passar a gostar de música popular ou instrumental quando começarem a aprender”, diz o maestro.

A ONG tem hoje três patrocinadores. O maestro Ferreira afirma que em tempos de dificuldade fez diversos sacrifícios pessoais, como vender seu carro, para manter o projeto.

Ele quer derrubar as instalações da antiga fábrica de vasos no Jardim Maria Rosa onde funciona o projeto há três anos para transformar o espaço em um grande conservatório dramático, com dança, teatro e música.

Todo dia é de Consciência Negra

Na quinta-feira, 20 de novembro, é celebrado o Dia da Consciência Negra. A data lembra a morte de Zumbi dos Palmares, em 1695. Surgiu da luta do movimento negro por um dia de conscientização e reflexão histórica.

O objetivo é tornar a data feriado nacional, não apenas em algumas cidades. “Não é um feriado para ir à praia. É para realizar atos sobre a importância da consciência negra para o país”, diz o presidente da ONG de Carapicuíba Igual Eu Não Com Todos os Direitos Iguais, Edivaldo Esteves.

A idéia é que o apelo da data “desperte as pessoas para que todo dia seja de conscientização”, afirma Eduardo Barbosa, do Fórum Permanente do Movimento Negro da Região Oeste (FPMNO). “O 20 de novembro é todo dia. Não tem um dia em que não me deparo com o preconceito”, atesta o diretor da Ação Negra de Integração e Desenvolvimento (Anid), Gerson Pedro.

Pedro, também assessor de combate ao racismo da prefeitura de Barueri, avalia o Brasil como “um país extremamente racista e preconceituoso”, o que, diz, é evidenciado pela “falta de oportunidades e políticas públicas para a população negra”.

“É só ver os dados, os negros ganham menos que os brancos e dificilmente chegam a um cargo mais importante. Na TV parece o negro só serve para ser empregado”, afirma Esteves. “Queremos oportunidades e direitos iguais”

Pesquisa Ibope aponta que apenas 3,5% dos negros ocupam cargos executivos de chefia. As mulheres negras sofrem discriminação dupla: menos de 0,5% são chefes. Segundo o IBGE, o salário dos negros é até 40% menor que o dos brancos com a mesma faixa de estudo.

Obama

A vitória de Barack Obama, o primeiro negro eleito presidente dos Estados Unidos, é muito comemorada. "É um marco, o maior feito para os negros no mundo”, avalia Pedro.

Os representantes da região dizem que seu objetivo é “atualizar e dar continuidade às lutas de grandes líderes, como Zumbi, Martin Luther King, Zumbi, Malcolm X e Steve Biko”, assegura Esteves. É longa a caminhada do negro para que deixe de ser rei só na folia do Carnaval, como cantou o sambista Candeia.

*A bela fotografia acima é de Eduardo Metroviche. A matéria foi publicada na edição 265 do jornal Visão Oeste.

Uma igreja de todos os sexos


A igreja evangélica Nova Esperança realiza em Osasco, no dia 8, sábado, a 1ª Noite Gospel de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Transexuais e Simpatizantes (GLBTS). Segundo os organizadores, terá várias atrações e será “uma noite evangelística”.


Fundada em
2004, a igreja se define como “a serviço de Jesus Cristo em prol da diversidade humana” e prega contra o estereótipo de promiscuidade “dos gays que não conhecem Jesus”. Defende o relacionamento estável e realiza cerimônias de casamento entre casais do mesmo sexo. Segundo o presbítero José Fernandes (foto), mais de 90% dos membros são homossexuais. “Incluímos as pessoas que foram excluídas por outras igrejas e a sociedade”, explica. 


Gay assumido, Fernandes diz que sempre foi evangélico e deixou a Assembléia de Deus quando se assumiu. Ele advoga que a Bíblia não condena a homossexualidade: “Deus é amor e não exclui as pessoas, pelo contrário. A maioria das igrejas se pega em versículos isolados da Bíblia, não no contexto todo”.


Além de Osasco, onde está há um ano e sete meses, a Nova Esperança possui templos em outras seis cidades brasileiras – como São Paulo, Guarulhos e Fortaleza –, na Argentina e em

 

Pastor gay critica “visões obsoletas”


Segundo José Fernandes, a Nova Esperança foi criada por ex-membros da Acalanto, a primeira igreja evangélica a abrir as portas para a diversidade sexual no Brasil, fundada em 2002 pelo pastor Victor Orellana.
Formado em Teologia e pós-graduado em Ciência e Religião, Orellana deixou a Assembléia de Deus para criar a Acalanto quando assumiu ser gay. Ele frisa que a sua “não é uma igreja gay, mas de coexistência entre todos”. Victor Orellana concedeu a seguinte entrevista ao
 Visão Oeste.

 

Visão Oeste: O que a Bíblia diz sobre a homossexualidade?

Victor Orellana: Não diz nada, não encoraja práticas sexuais entre homens. Em contrapartida, encoraja visões nacionalistas, racismo, guerras, misoginia, limpeza étnica, infanticídio, poligamia, concubinato, escravagismo, inferiorização das mulheres. Posturas completamente injustas para nossa época.

 

Por que a maioria das igrejas ainda é contra a homossexualidade?
Porque estão presas a visões obsoletas da compreensão da realidade, enxergam em preto e branco, são dualistas. As protestantes seguem a Bíblia como um código de regras inquestionável, não levando em conta o regionalismo, as circunstâncias, o contexto histórico. A Católica tem parte disso e mais a força da Tradição que engessa as consciências, impossibilitando “Uma Nova Luz”.

 

Como vê a situação do homossexual perante a sociedade hoje?
Os gays estão sendo respeitados como cidadãos que são, pagadores de impostos e com os mesmos direitos de qualquer pessoa. As conquistas dos homossexuais são conquistas do ser humano. Todos queremos ser felizes, negar isso a alguém ou as possibilidades para tal é equivalente a negar-lhe os meios de subsistência na vida, como alimento e moradia. É opressão.
 

A coerência paulistana

Nirlando Beirão*

São Paulo era contra Getúlio Vargas e a favor da oligarquia. Apoiou o populismo de Adhemar de Barros e inventou Jânio Quadros para a política. Vociferou contra Juscelino Kubitschek. 

Com as Marchas com Deus pela Família, preparou e apoiou o golpe militar de 1964. Revelou Paulo Maluf. Na eleição municipal de 1985, elegeu Jânio contra Fernando Henrique. Na primeira direta para presidente, elegeu clamorosamente Fernando Collor.

FHC contra Lula? FHC (duas vezes). Maluf contra Eduardo Suplicy? Maluf. Celso Pitta contra Luiza Erundina? Pitta. José Serra contra Lula? Serra. Gilberto Kassab contra Marta? Kassab. 

Vereador mais votado: o eminente Gabriel Chalita. Faz todo sentido. Quando Luiza Erundina venceu em 1988, não havia segundo turno. Em 2000, o eleitor correu para Marta Suplicy só porque tinha se cansado da impagável dupla Maluf-Pitta. Exceções que confirmam a regra.

*Nirlando Beirão é jornalista

Artigo publicado originalmente na coluna Estilo, edição n° 517 (15 de outubro) de Carta Capital.

Poesia periférica

"Eis-me aqui, poeta invisível e colecionador de pedras, pedindo licença pra jogar areia nos teus olhos (...) Contando a minha e outras histórias desse povo lindo e inteligente que vive na periferia”, apresenta-se o poeta Sérgio Vaz em seu recém-lançado livro Colecionador de Pedras – Antologia Poética (Global Editora). 

Vaz acaba de lançar a obra (antes vendida de forma independente), com textos consagrados durante os 20 anos de sua carreira, além de poemas inéditos, e
Cooperifa – Antropofagia Periférica (Editora Aeroplano), sobre sua trajetória e o sarau da Cooperativa de Poetas da Periferia (Cooperifa).

O poeta é um dos idealizadores e coordenador do Sarau da Cooperifa, um “quilombo cultural”, define, surgido em 2001 no bar Garajão, em Taboão da Serra, cidade onde Vaz vive há 15 anos e é tema de um dos poemas de
Colecionador... (leia 
aqui).

A escolha do bar como cenário se deu porque “é o único espaço público na periferia”, explica. “Não tem museu, não tem cinema, então transformamos o bar num espaço cultural.”

Cooperifa
No início, lembra o poeta, eram cerca de 17 poetas declamando poema de própria autoria ou de outros autores. “O pessoal no bar não entendia nada”. O projeto cresceu, atraiu no-
vos amantes da poesia e poetas. Segundo Vaz, já foram lançados cerca de 40 livros de autores da Cooperifa. 

“A gente trouxe uma novidade para a senzala. O pessoal pensava que poesia era coisa de louco, uma coisa melancólica”, diz. Hoje, o sarau é realizado todas as noites de quarta-feira no bar do Zé Batidão, na Chácara Santana, zona Sul de São Paulo, e reúne cerca de 300 pessoas: operários, costureiras, motoristas, motoboys, mecânicos...

A Cooperifa se tornou referência no movimento definido por Sérgio Vaz como “literatura periférica” e inspirou o surgimento de dezenas de saraus pelo país. 

Além do sarau e dos dois livros recém-lançados, o “colecionador de pedras” é autor de outras cinco obras (edições independentes) e está por trás de diversos projetos culturais. “Enquanto capitalizam a realidade eu socializo meus sonhos”, declara.

Paula Pequeno, a musa de ouro


Por pouco Paula Pequeno não seguiu carreira de modelo. A brasiliense começou a desfilar aos quatro anos de idade e era elogiada pela desenvoltura nas passarelas. Aos 12, sua altura chamou a atenção do técnico Jorge Gabiru, enquanto ela assistia a uma partida de vôlei em Brasília. Teve que escolher entre as passarelas e as quadras. Hoje a torcida brasileira comemora a decisão.

A recente conquista do ouro olímpico com a seleção brasileira em Pequim foi a maior glória da brilhante carreira da ponteira Paula Pequeno. Além de conquistar o ouro, ela foi escolhida a melhor jogadora, como ocorre em quase todas as competições que disputa.

Paula chegou ao Finasa/Osasco (ex-BCN) aos 15 anos. Na seqüência foi jogar em outras equipes e voltou em 1999. Uma das melhores jogadoras de vôlei do mundo, Paula é fundamental nas constantes conquistas da equipe, a última delas a Copa do Brasil, em setembro. “Sou vermelhinha de coração”, diz, em entrevista exclusiva ao jornal Visão Oeste.

Visão Oeste: Como se sentiu com a conquista do ouro em Pequim depois de ter ficado fora da Olimpíada de Atenas em devido a uma contusão?

Paula Pequeno: Na realidade foi um momento tão feliz na minha vida que nem penso no que foi ruim. Acho que foi uma etapa da minha vida, superei muito bem, e momento mais certo do que esse para ir a uma Olimpíada eu acho que não teve. 

E a sensação de, além de campeã olímpica, ter sido eleita a melhor jogadora?

Eu sempre sonhei com a medalha olímpica, então esse prêmio veio como um presente a mais.

Você se considera uma das líderes da nova geração do vôlei feminino?

Na realidade, cada uma tem uma maneira de liderar. Todas ali dentro [da seleção] têm um grau de responsabilidade, de cobrança. Não tem uma que vá se sobressair por algum fator de liderança, o grupo inteiro sabe dividir essa responsabilidade, essa liderança. 

É comum ver jogadoras das equipes infantis e juvenis imitando a sua tradicional faixa no cabelo. O que você gostaria de deixar de exemplo às próximas gerações?

Eu gostaria de deixar um exemplo de disciplina, de metas a cumprir, objetivos alcançados. Tudo isso na vida do atleta é primordial. Você sonhar, trabalhar e conseguir são as três etapas. Quero deixar muita coisa boa e tenho muito tempo ainda para fazer muita coisa boa.

E a sua relação com o Finasa/Osasco?

É sem palavras, sempre foi uma troca muito grande. Quando eu me machuquei, eles me deram total apoio, me recuperei até antes do previsto para dar retorno a eles. Quando engravidei, foram muito humanos comigo. Eu cheguei aqui com 15 anos, praticamente toda minha carreira está aqui, as fases boas, ruins. Sou eternamente grata por tudo, independentemente de eu estar aqui hoje ou de pensar em ficar mais ainda, e eu tenho certeza que eles também, porque sabem que eu sou vermelhinha de coração.

Recebe muitas propostas para trocar de clube? Houve sondagens depois da Olimpíada?

Acontecem especulações, mas a gente diz que não está em negociação e eu não quero nem ouvir, na minha opinião isso não é nem ético, talvez quando acabar a temporada, a gente tem empresário e um certo tempo para pensar nisso. É bom por um lado, dá segurança saber que tem oportunidades por aí, mas agora é Finasa na cabeça. Tenho contrato até maio.

Depois de derrotas na final nos dois últimos anos [para o Rexona-Ades/RJ], qual a expectativa do Finasa/Osasco para a próxima Superliga?

A expectativa é de vitória. O time está reforçado, está mais determinado do que nunca. A gente sabe, sonha e merece o título, está na nossa hora. 

O que acha de ser considerada uma musa do vôlei nacional?

Não me considero, não. O público fala muito isso, acho que é uma demonstração de carinho. Prefiro ser reconhecida pela minha carreira, por tudo de bom que eu fizer dentro do vôlei. 

Depois das conquistas do vôlei, acha que o Brasil deixou de ser apenas o país do futebol?

Não tem como acabar isso, o futebol é penta do mundo. A gente está caminhando, sem querer tomar nada do futebol porque tudo que eles têm é porque merecem e as pessoas têm que valorizar. Temos que aproveitar a nossa boa fase, os patrocinadores investirem no vôlei, para dar oportunidades.

O povo e o presidente

Jardim Rochdale, periferia de Osasco. Faz frio na noite de sábado, 27 de setembro de 2008. Mas o calor humano aquece a multidão de cerca de 20 mil pessoas. O barulho de um helicóptero chegando é o sinal: “Ele chegou!”. Gritos, bandeiras agitadas e até mesmo olhos marejados. “É uma emoção que não dá para explicar”, diz a funcionária pública Otaciano Araújo.

É ele mesmo. “Nunca antes na história desse país”, diria o próprio, um nordestino de origem humilde, ex-operário, ex-sindicalista, foi tão importante e querido. Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente Lula.

O fenômeno Lula não pode ser explicado apenas por números frios de pesquisas que indicam a aprovação do governo e da pessoa do presidente. No comício do dia 27, como em muitos outros, o discurso em linguagem popular é ouvido com atenção. Com a perna quebrada, Otaciana se equilibra com a ajuda de muletas para acompanhar. “Para ver o Lula vale tudo. Já fui até em Brasília, na posse dele. Ele é um mestre”, diz.

A dona de casa Carmem Peixoto, 58, define Lula como “um homem maravilhoso”. “Adoro ele, é simples e está com o povo pobre”, explica. “O Lula é igual a nós”, completa o porteiro Ronaldo Reis, 31, comemorando o fato de ter ficado “pertinho do Lula, a menos de 15 metros dele”.

Não faltam supostas histórias inesquecíveis junto ao presidente. “Nas greves em São Bernardo eu estava com o Lula, até já tomei cachaça com ele”, gaba-se o metalúrgico Luiz Pereira da Silva, 53. A diarista Ana Maria de Souza, 60, afirma que “trabalhava na mesma fábrica que o Lula quando ele perdeu o dedo, que prendeu na máquina”. Otaciana não esquece de ter comido coxinha com Lula no bar, há 20 anos, garante.

Fim do comício. A multidão diminui aos poucos, mas a rua continua cheia. “Quero dar tchau para ele”, diz Carmem. O helicóptero sobe, acompanhado de centenas de acenos. Lula se vai. Os cerca de 50 minutos perto do presidente metalúrgico ficarão para a história dos milhares de fãs presentes ao comício.

80% de aprovação

A atuação de Lula como presidente obteve 80% de aprovação, segundo a última pesquisa CNI/Ibope, divulgada no dia 29. O levantamento aponta ainda que o governo Lula é aprovado por 69% da população.

É a melhor avaliação desde a posse e a segunda melhor da série histórica, apenas três pontos percentuais abaixo dos 72% obtidos pelo governo Sarney em 1986. A pesquisa revela ainda que o governo Lula alcançou a maior nota média desde seu início: 7,4.

O levantamento foi realizado entre 19 e 22 de setembro e ouviu 2.002 pessoas em 141 cidades. A margem de erro é de 2%.

A última pesquisa CNT/Sensus, divulgada no dia 22, tem resultados semelhantes. Segundo o levantamento, a aprovação pessoal de Lula é de 77,7% e o governo federal é aprovado por 68,8% da população. A margem de erro é de 3%.

A pesquisa avalia que as principais razões para os bons índices obtidos por Lula e seu governo são “principalmente os bons números da economia e os resultados obtidos pelos programas sociais do governo”.

Emidio e Marta firmam convênios

Matéria publicada em março de 2008 no jornal Visão Oeste.

A ministra do Turismo, Marta Suplicy, esteve em Osasco na última terça-feira, 11, para a assinatura de dois convênios que prevêem a liberação de R$ 6,5 milhões à cidade. A verba será usada em obras de infra-estrutura turística, com o recapeamento de 20 ruas, e construção ou reforma de áreas de lazer e praças em diversos bairros, como Jardim Rochdale e Jardim Piratininga. A contrapartida da prefeitura é de 20%.

Na assinatura dos convênios, Marta e o prefeito Emidio de Souza (PT) ressaltaram que Osasco vem se destacando no turismo de negócios. “Devido ao desenvolvido da cidade, atraímos grandes empresas, que recebem seus funcionários aqui para treinamentos e convenções”, disse Emidio. Para ele, o investimento do Ministério do Turismo é “um reconhecimento da força e do avanço econômico de Osasco”.

Também na terça-feira, a ministra assinou a liberação de R$ 4,8 milhões para Itapecerica da Serra. Do total, R$ 4 milhões serão usados na primeira etapa da pavimentação asfáltica da estrada Abias da Silva, uma das vias mais importantes da cidade, por onde passam cerca de 40 mil veículos por dia.

“Não estamos trazendo melhorias só para o turismo. Estamos melhorando também a qualidade de vida da população que vive nessas áreas beneficiadas”, analisou a ex-prefeita de São Paulo.

Copa de 2014 já movimenta cidades

Uma das metas atuais do Ministério do Turismo é fomentar a estruturação das cidades para receber turistas na Copa de 2014, no Brasil. “São Paulo vai sediar jogos. Cada cidade-sede receberá partidas da Copa por pelo menos uma semana. Estudos revelam que os turistas costumam ficar não só nessas cidades, mas também se deslocar até três horas por áreas próximas. Toda área a menos de três horas da capital poderá receber esse público”, explicou Marta Suplicy.

A ministra também disse que o bom momento econômico no país tem incentivado o turismo interno. “A classe C não quer mais viajar para ficar na casa da sogra. Querem conhecer a Serra Gaúcha, Fernando de Noronha. As pessoas estão se apropriando mais do turismo. Agora podem planejar uma viagem, um gasto.”

Já o número de turistas vindos do exterior cresceu 3,9% em 2007, segundo a Embratur. “Hoje, a entrada de divisas do turismo é igual à da indústria automobilística, chegando a R$5,5 bilhões por ano”, afirmou Marta.

Foto: Eduardo Metroviche

Personagens da história de Osasco

Matéria publicada na edição 227 do jornal Visão Oeste.

Osasco completou 46 anos na última terça-feira, 19 de fevereiro. Apesar de jovem, o município já tem muita história. A reportagem do Visão Oeste conversou com pessoas que fizeram e fazem a história da quinta maior cidade do estado.

“Vítimas, sangue,gritos de socorro"
Afonso Paulo da Costa era primeiro sargento do Corpo de Bombeiros de Osasco na época em que trabalhou numa das maiores tragédias da história da cidade e do país: a explosão do Osasco Plaza Shopping, causada por um vazamento de gás no subsolo do edifício, que matou 42 pessoas e feriu 472, no dia 11 de junho de 1996.

Hoje sub-tenente, Costa relembra o cenário que viu ao chegar ao local: “A explosão levantou o que deveria ser o piso até a altura do teto. Algumas vítimas foram arremessadas, outras esmagadas pelos destroços. Difícil de explicar. Lembro de ter visto muitas vítimas, muito sangue, ouvido muitos gritos de socorro”, conta.
Costa nasceu em Juíz de Fora (MG), em 1959. Migrou com a família para Osasco com 10 anos, pois os pais “vieram em busca de melhores oportunidades”, diz. Morando na cidade, entrou para o Corpo de Bombeiros em 1981, casou-se em 1996 e cria os dois filhos, de oito e cinco anos. “Gosto muito daqui. É uma cidade que está crescendo e vai continuar.”

“O suor que sai da minha pele”

Fim da década de 1940. Osasco é um bairro da capital, os serviços públicos são precários. Falta água, esgoto, transporte coletivo. Nesse cenário, ganha força o movimento pela emancipação. “Osasco despontava uma grande concentração de indústrias, gerava muita receita, mas a prefeitura da capital não investia aqui”, conta o presidente da Ordem dos Emancipadores, José Geraldo Setter.

Em 1952 foi lançada, pela Sociedade Amigos do Bairro Osasco (Sabo), a pedra fundamental do movimento emancipacionista. Na época, Setter, nascido no centro de Osasco em 1935, era um jovem estudante e aderiu à causa.

Em 1953, um plebiscito popular rejeitou a emancipação. Setter diz que houve fraude. A luta continuou e, em 1958, novo plebiscito disse sim a emancipar a cidade. Mas o então prefeito de São Paulo, Ademar de Barros, entrou na Justiça contra o pleito, e a briga durou três anos. “Era comício todo dia, o povo se manifestou muito”, lembra Setter.

A emancipação veio em 1962, quando houve a primeira eleição municipal. Hirant Sanazar foi eleito o primeiro prefeito e tomou posse no dia 19 de fevereiro. “Daí em diante, a cidade cresceu bastante, só que de forma desordenada. Agora, rumo ao cinqüentenário, com o projeto ‘Osasco 50 anos’, estão querendo mudar isso.”

Administrador de empresas, Setter é casado e pai de três filhos, e diz que não teria coragem de sair da cidade. “É um município humanitário, fraterno, de oportunidades para todos”, avalia. “Osasco é o suor que sai da minha pele.”

Da greve ao exílio

Na manhã de 16 de julho de 1968, cerca de três mil operários da Cobrasma, a maior metalúrgica de Osasco, entraram em greve. Em seguida, os operários de outras fábricas da cidade, como Braseixos, Barreto Keller e Lanoflex também pararam as máquinas. Lutavam por melhores salários e liberdade sindical em plena ditadura militar. A greve de 68 foi um marco na história do movimento sindical brasileiro.

Um dos líderes da mobilização era José Ibrahim, um jovem de 21 anos nascido no bairro de Presidente Altino, que trabalhava como inspetor de qualidade na Cobrasma e havia sido eleito presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e Região no ano anterior. “Vivíamos arrocho salarial desde 1964 e não tínhamos liberdade sindical.”

Após a greve, dezenas de trabalhadores foram presos, torturados e banidos do país. Mesmo assim, Ibrahim acredita que “a greve foi vitoriosa, não só do ponto de vista dos trabalhadores como politicamente contra a ditadura”.

Depois da mobilização, Ibrahim foi demitido sem direitos, entrou na clandestinidade e foi para a luta armada, na Vanguarda Popular Revolucionária (VPR). Preso pouco depois, foi um dos 15 presos políticos trocados pelo embaixador americano Charles Burke Elbrick, em setembro de 1969.

Após dez anos exilado em países da América Latina e na Bélgica, Ibrahim voltou ao Brasil em 1979, poucos meses antes da anistia. “Minha chegada foi linda. Tinha milhares de pessoas me esperando ao lado da casa da minha mãe, em Presidente Altino. No dia seguinte fui visitar o Sindicato.”

Nos anos 80, Ibrahim foi um dos fundadores do PT, mas rompeu com o partido e se filiou ao PV. Atualmente ele mora na Capital, trabalha como consultor de sindicatos e comanda a ONG “Sociedade Cidadã”. Aos 61 anos, ele mantém o idealismo. “Sou socialista, continuo acreditando no socialismo como a forma superior de desenvolvimento humano.”

Coragem para lutar e vencer

Não raro, a empregada doméstica desempregada Ana Lúcia Bento Figueiredo, 38, vai à prefeitura reclamar dos problemas enfrentados por ela e seus vizinhos, as cerca de 150 famílias que moram na Área Livre AC, no Jardim Bussocaba, zona Sul. O esgoto, que vive entupido, e o lixo na área são suas principais queixas.

Para Ana, a mobilização dos cidadãos é fundamental para mudar a dura realidade. “Incentivo as pessoas daqui a terem coragem para lutar e vencer."
Mas Ana recusa o papel de líder comunitária. “Há a idéia de formar uma associação de moradores, mas querem que eu seja presidente e eu não posso”, afirma. “Não tenho tempo. Tenho que terminar os estudos para vencer na vida”. Ela faz cursos, como de cabeleireira, para arrumar emprego.

Nascida em Osasco, casada e mãe de três filhos, Ana diz ter “muito orgulho” do município. “A cidade antigamente era vista como a cidade do crime, um lixão. Hoje está bonita, bem cuidada, melhorando cada vez mais.”
Fotos: Eduardo Metroviche

Theodora e seus dois pais

Matéria publicada na revista Fórum em março de 2008.

Em outubro de 2006, Theodora se tornou a primeira criança adotada oficialmente por um casal homossexual masculino no Brasil, Vasco Pereira da Gama Filho, de 36 anos, e Dorival Pereira de Carvalho Júnior, 44. “Pai Vasco e pai Júnior”, para ela. Hoje, aos sete anos de idade, a menina já se acostumou a viver como uma verdadeira celebridade no município onde mora, Catanduva, no interior de São Paulo.

“Às vezes andamos no centro da cidade e fica todo mundo olhando para nós, pedem autógrafos, para bater fotos. Ela fala: ‘Pai, estão olhando para a gente. Acho que é por que eu tenho dois pais não é?’”, conta Vasco.

O cotidiano da família é comum, como de qualquer outra, atestam os pais. Durante a semana, Theodora acorda cedo para ir à escola particular onde cursa a primeira série. A família “diferente” da menina nunca causou estranhamento entre seus colegas de turma. “Estão descobrindo naturalmente que existem famílias com papai e mamãe, mamãe e mamãe, e papai e papai. Também nunca houve reação contrária por parte dos outros pais”, assegura Vasco.

Os pais de Theodora são bem-sucedidos cabeleireiros e colunistas sociais que vivem juntos há 15 anos. “Nosso relacionamento é como qualquer outro. A gente namorou, casou, construímos nossa casa, temos emprego e estabilidade financeira”, conta Vasco. A idéia de adoção vinha de quase uma década. “Tentamos entrar na fila em 1998, mas o juiz não autorizou alegando que se tratava de um relacionamento anormal”, lembra.

Em 2004, Vasco aproveitou a lacuna na Justiça brasileira, que desde a década de 1990 permitia apenas a adoção de crianças só por homossexuais “solteiros”, e se cadastrou na lista de possíveis pais. “Só quando não havia mais perigo de perdermos a guarda foi que o Júnior entrou com o pedido de reconhecimento de paternidade dele também.”

Exposição pública

O advogado Enézio de Deus da Silva Júnior, autor do livro A Possibilidade Jurídica da Adoção por Casais Homossexuais (Juruá Editora), explica que a adoção por apenas um dos membros do casal pode prejudicar a criança. “O filho fica descoberto de uma série de direitos. Pelo princípio constitucional de respeito à dignidade e pelo primado da igualdade, não há como desqualificar duas pessoas do mesmo sexo, que vivem juntas com estabilidade e perspectiva de vida, como um casal apto à adoção”, esclarece.

Antes de Vasco e Júnior adotarem Theodora, no mesmo ano, um casal de lésbicas de Bagé, no Rio Grande do Sul, conquistou o direito à adoção de duas crianças. Apesar de elas não terem se exposto, o caso “representou a abertura do Poder Judiciário para formar jurisprudência”, explica o advogado, servindo de referência futura para casos similares. Com relação a Theodora, segundo Silva Júnior, um dos principais pontos foi a exposição pública “extremamente importante para que outros tantos casais que se amam e desejam adotar em conjunto façam o mesmo”.

A psicóloga Anna Christina Cardoso de Mello, da Vara da Infância e da Juventude de São Paulo, diz que os riscos de crianças adotadas por casais homossexuais apresentarem problemas psicológicos são os mesmos de uma adotada por um casal heterossexual. “Vai depender de como o casal lida com isso. Se a criança questionar por que a família dela é diferente da dos colegas, eles têm que explicar. É preciso sempre haver o diálogo”, defende.

“A orientação sexual dos pais adotantes é irrelevante na formação integral dos filhos adotivos”, sustenta o antropólogo Luiz Mott, criador do Grupo Gay da Bahia. A opinião é compartilhada pela presidente do Grupo de Apoio à Adoção de São Paulo (Gaasp), Mônica Natale. “Só o que importa são as condições psicológicas e financeiras do casal, se têm condições de educar a criança com amor, carinho e proteção.”

Porém, 52% dos brasileiros ainda são contra a adoção por casais homossexuais, segundo pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha de abril de 2007. Para Mott, o fato reflete a “homofobia cultural e institucional no Brasil”, diz. “O preconceito contra adoção por homossexuais deve ser combatido por meio da educação sexual.”

Vasco e Júnior dizem nunca ter sentido discriminação. “Lógico que futuramente a Theodora pode sofrer algum preconceito, por falta de informação de outras pessoas. Porém, acho que ela não terá problemas pois já vai ter um conceito formado”, assegura Vasco.

Os dois afirmam que, por estarem entre os primeiros casais homossexuais a adotar, a responsabilidade sobre a criança é maior que a de um casal “comum”. “Qualquer coisa que acontecer com Theodora, problemas normais de criança e adolescente, vão dizer que é porque ela tem dois pais.”

Silva Júnior, que também é membro do Instituto Brasileiro do Direito da Família, diz que a sociedade precisa entender que o modelo familiar com pai, mãe e filhos mudou. “[A família] estará sempre em constante transformação e o que a diferencia e a sustenta é o sentimento do amor, que não é somente aptidão de pares de sexos opostos.”

Avanços no Judiciário
Para especialistas da área, nos últimos anos, os principais avanços nos direitos dos homossexuais no país têm surgido em função da atuação do Poder Judiciário. “O Judiciário tem sido a estrutura de Estado que mais contribuições vêm dando para a progressiva equiparação das uniões homoafetivas com as uniões heterossexuais, em termos de deferimentos dos diversos direitos familiares”, afirma Silva Júnior. Mott ressalta que também tem havido mudanças positivas em Legislativos estaduais e municipais, com a criação de datas pela conscientização em defesa dos homossexuais e o apoio oficial a paradas gays.

Porém, no Congresso Nacional, importantes pautas e discussões estão quase em ponto morto. “Quando a pauta são os direitos dos GLBT [gays, lésbicas, bissexuais e transexuais], por um lado, paira um silêncio e, por outro, surge o alarde infundado de bancadas que imaginam poder legislar com base em argumentos puramente doutrinário-religiosos”, critica Silva Júnior. “O que se mostra inacreditável em um Estado laico, que se afirma Democrático de Direito e garantidor do mesmo respeito e proteção a todos, sem distinção.”

Desde 2004, a Secretaria Especial dos Direitos Humanos (SEDH) tem o projeto Brasil Sem Homofobia, que consiste em atividades como seminários, congressos e pesquisas, em conjunto com ministérios, sociedade civil e governos estaduais e municipais para a elaboração de ações em defesa dos gays.

Este ano deve haver a I Conferência Nacional GLBT, a fim de propor políticas públicas aos homossexuais que, segundo o IBGE, são 10% da população. “O governo Lula tem demonstrado disposição em tirar o país da vergonhosa condição de campeão mundial de assassinatos de homossexuais, com um crime homofóbico a cada dois dias”, diz Mott. “Falta, porém, mais empenho em pressionar a base aliada para votar propostas a favor da cidadania homossexual que conti¬nuam paradas no Congresso.”

Entre as propostas à espera de votação, está a de criminalização da homofobia, da ex-deputada Iara Bernardi (PT-SP), em tramitação no Senado. O Projeto de Lei no 5003/01 prevê que seja considerado crime todo tipo de preconceito de gênero, sexo, orientação sexual e identidade de gênero.

No mundo
Por todo o mundo foram registrados avanços na questão relativa aos direitos dos homossexuais nos últimos meses. O mais recente foi no dia 10 de fevereiro, quando a Justiça israelense anunciou que o país vai reconhecer a adoção por casais homossexuais.

Em janeiro, em decisão inédita, o Tribunal Europeu de Direitos Humanos condenou a França por ter impedido uma mulher homossexual e sua companheira de realizarem uma adoção. O país foi condenado a pagar à denunciante € 10 mil (cerca de R$ 25 mil) por danos morais e cobrir as despesas judiciais, de € 14 mil.

No mesmo mês, o estado estadunidense de New Hampshire passou a reconhecer a união civil entre casais do mesmo sexo. Agora, os EUA têm seis estados que autorizam o matrimônio homossexual: Vermont, Connecticut, Califórnia, Nova Jersey, Massachusetts e New Hampshire.

Em dezembro de 2007, o Congresso uruguaio aprovou a lei da “união concubinária”. Com isso, o Uruguai se tornou o primeiro país latino-americano a legalizar o matrimônio entre gays. O mesmo tipo de lei já existe em algumas cidades latinas, como Buenos Aires, na Argentina, e Cidade do México.

Também em dezembro do ano passado, o Nepal passou a reconhecer os direitos dos gays. A Corte Suprema do país determinou ainda que o Executivo forme um comitê para estudar a possibilidade de permitir casamentos gays.

Pioneiros
Desde 1989, a Dinamarca passou a permitir a união civil a casais homossexuais, com os mesmos direitos dos casais heterossexuais. Em 1993 e 1994, Noruega e Suécia, respectivamente, fizeram o mesmo. Na Holanda, parceiros homossexuais podem se casar e adotar desde 2000.

Na Bélgica, o casamento homossexual é permitido desde 2003 e a adoção por casais homossexuais desde 2006. No Canadá e na Espanha, o casamento gay é permitido desde 2005.

Já o Irã vai no caminho oposto. Em setembro de 2007, o presidente Mahmoud Ahmadinejad afirmou, em evento na Universidade de Columbia, em Nova Iorque (EUA), que não existe homossexualidade em seu país. No país, a homossexualidade ainda é considerada crime.

Brancos e recém-nascidos
No Brasil, existem 8 mil crianças disponíveis para adoção, segundo o Instituto de Pesquisa Ecônomica Aplicada (Ipea). Não há contagem dos candidatos a adotantes em todo o país. Somente no estado de São Paulo, a estimativa é de que a fila de interessados em adotar tenha mais de 7 mil pessoas.

Mas, mesmo com tantos candidatos, o número de orfãos dificilmente diminui. Isso porque a maioria dos brasileiros interessados em adotar ainda prefere crianças brancas e recém-nascidas. De acordo com a ONG Associazone Amici Bambini (Ai.Bi), 72% preferem crianças brancas, sendo que 67% gostariam de um bebê de no máximo seis meses. E cerca de 99% adotam crianças de até um ano de idade.

“Tem que acabar com esse preconceito. Deve haver maior conscientização por parte dos interessados em adotar, pois esse não é o perfil da maioria dos que estão à espera de adoção”, diz a presidente do Grupo de Apoio à Adoção de São Paulo (Gaasp), Mônica Natale.

Não há, no Brasil, números oficiais sobre o assunto. Especialistas estimam que o país tenha cerca de 600 instituições de abrigo para menores e que mais de 60% dos abrigados sejam afro-decendentes e tenham entre sete e 15 anos.

Até junho deste ano deve começar a funcionar o Cadastro Nacional de Adoção, um banco de dados que inclui crianças e jovens adotáveis e pessoas interessadas em adotar. “É um absurdo que tenhamos conhecimento de quantos estabelecimentos bancários há no país e não saibamos quantas crianças vivem em situação de abandono nos abrigos municipais, estaduais e governamentais”, disse à Radiobrás o titular da 1ª Vara da Infância e da Adolescência do Rio de Janeiro, Siro Darlan de Oliveira.

Regras
A adoção é regulamentada no país pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) – Lei nº 8.069/90. Tem caráter irrevogável e dá à criança ou adolescente adotado todos os direitos de um filho biológico, inclusive a herança.
• Só é permitida a adoção de crianças e jovens de até 18 anos;
• Maiores de 18 anos podem adotar, mas devem ser, no minímo, 16 anos mais velhos do que o adotado;
• A adoção é irrevogável;
• O candidato deve comprovar capacidade de adoção, por meio de estudo psicossocial.

"Mídia faz o papel que a oposição não consegue", diz João Paulo Cunha

Entrevista publicada em setembro de 2007 no jornal Visão Oeste.

Na segunda-feira, 17, o deputado federal João Paulo Cunha (PT-SP) recebeu a reportagem do Visão Oeste em seu escritório, em Osasco. Na entrevista, falou dos processos que tem contra si no Supremo Tribunal Federal e no Ministério Público Federal.O deputado também avaliou a atual conjuntura política, disse ser “meio inevitável que uma candidatura própria [do PT] ganhe força” para as eleições presidenciais em 2010 e explicou por que é favorável à CPMF.

Visão Oeste: Qual sua avaliação do 3º Congresso do PT?
João Paulo Cunha: O 3º Congresso foi convocado num momento de crise do partido. Tinha uma expectativa de tentar renovar um pouco a base teórica que já vinha carregando há alguns anos e cumpriu parte disso. Discutiu um pouco o socialismo, a estrutura partidária e o Brasil que queremos. Eu acho que correspondeu um pouco às nossas expectativas, não exatamente aquilo que nós imaginávamos, porque também a crise já se tinha superado em grande medida. Então, o Congresso baixou um pouco a temperatura e perdeu um pouco no conteúdo.

O senhor é a favor de o PT lançar candidato próprio ou apoiar alguém da base aliada na eleição presidencial de 2010?
Essa é uma discussão que deve ser tratada com cuidado, porque nós queremos, como preliminar, a manutenção dessa base de apoio ao governo, essa aliança que tem sustentado o governo do presidente Lula, PCdoB, PSB, PDT, PMDB, PP, PR. Agora, é muito difícil o PT não ter candidato. É meio inevitável que uma candidatura própria ganhe força, densidade eleitoral.

O deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) já sinalizou que não deve abrir mão da candidatura. Isso pode gerar um racha na base?
O Ciro Gomes é um bom nome, um nome considerável e de um partido que historicamente é nosso aliado. Não acho prudente colocar nada de forma peremptória, definitiva. Nem o PT deve afirmar que quer um candidato dele e ponto, e ninguém deve falar que é candidato e ponto. A gente tem que discutir.

Como deputado federal mais votado do partido, pretende lançar candidatura?
Minha primeira prioridade hoje é me defender. A segunda é ajudar o companheiro Emidio [de Souza, prefeito de Osasco], que faz uma boa gestão. Não há nenhuma expectativa eleitoral maior. A gente tem que prestar atenção porque haverá muitas surpresas em 2010. Certamente Emidio vai chegar numa situação muito confortável. Tenho fé que vai se reeleger [em 2008], fará um bom governo e vamos ter um quadro renovado para 2010, quer seja para senador ou governador.

Então Emidio pode ser candidato ao governo ou ao senado em 2010?
O Emidio é uma estrela em ascensão no PT. É um companheiro agora com uma experiência política em administração. É um nome que certamente o PT considerará não somente para governador, mas para os desafios que são demandados para o futuro ao partido.

Como avalia a acusação de seu envolvimento no chamado “mensalão”?
Tenho a ação do Supremo Tribunal Federal, no processo denominado “mensalão”, e o processo no Ministério Público Federal, que é uma denúncia de improbidade administrativa. Estou seguro de que o tempo mostrará quem de fato tem responsabilidade e culpa ou não. Eu e somente eu sei o que fiz e o que deixei de fazer. Tenho absoluta consciência de que não fiz nada errado, não me apropriei de nada público. A crise que nós vivemos é fruto de nosso sistema eleitoral, da forma de financiar campanha e é exatamente por isso que estou envolvido. Espero que a Justiça me absolva e que na época da minha absolvição a imprensa dê o mesmo destaque que ela deu neste momento [da acusação].

O senhor disse à revista Fórum que o sistema eleitoral é vulnerável e é necessário criar mecanismos para impedir a prática de Caixa 2. Quais seriam esses mecanismos?
Não há nenhum modelo que seja absolutamente imune. Mas, na minha opinião, o melhor é o sistema público de financiamento de campanha. E que haja um teto nacional de gasto e uma prestação de contas periódica. O financiamento público de campanha reduziria substancialmente o Caixa 2 e daria muito mais liberdade e independência para os eleitos.

Por que é favorável à prorrogação da CPMF?
A reclamação [sobre a CPMF] do ponto de vista de parte da população é em relação ao tamanho da carga tributária, que de fato é grande e nós temos que nos preocupar em fazer um programa para ela ir paulatinamente reduzindo. A CPMF não é um imposto ruim. É um imposto que não dá para sonegar e incide fundamentalmente sobre aqueles que têm um pouco mais de recursos. Veja bem, uma pessoa que movimenta mensalmente R$ 2 mil no banco, paga R$ 7,00 de CPMF. Então, não é um imposto muito forte e tem tido uma importância muito grande aos programas do governo.
Atualmente, como avalia a postura da grande imprensa?
A imprensa tem adotado uma posição quase partidária. Se dependesse da grande imprensa, o PT teria acabado e o Lula teria sido derrotado. Aquela faixa na comemoração da vitória do Lula na Paulista era e é uma frase emblemática: “o povo derrotou a mídia”. É verdade, a mídia continua fazendo o papel que a oposição não consegue fazer. Coloca o assunto e depois transforma o assunto como se fosse da opinião publica. Ela fala o assunto, repercute e vai retroalimentando. Com um agravante: parte da mídia hoje tem alimentado um sentimento preconceituoso, racista, contra o PT, contra o Lula.

Qual pode ser o papel da TV pública nesse cenário?
Pode apresentar uma grade de programação, uma linha editorial que não seja estatal, que não seja chapa-branca, não pode ser isso, mas que seja no sentido de informar a população de forma mais cristalina, límpida, que nem sempre a gente tem em outros canais que, via de regra, têm seus interesses. A TV pública, insisto nisso, não pode ser estatal, oficial, órgão do governo.

Como está o processo para a construção de Universidade Federal em Osasco?
Está em estágio bastante avançado. Semana passada tive uma informação do ministro da Defesa de que aquela operação que passa uma parte do terreno do Exército (localizado no Alto do Farol, zona Sul de Osasco) para a Educação está em andamento ágil.

E as tão faladas reformas trabalhista, previdenciária, tributária, sindical e política na Câmara?
A minha impressão é de que não tende a sair, pelo menos neste ano. O que está um pouquinho mais avançado é a reforma sindical, com o reconhecimento das centrais sindicais, que distribui um pouco os recursos dando capacidade e condições para estruturar as centrais nos estados, no plano nacional e os próprios sindicatos. Mas também acho difícil ser votada ainda este ano.

Qual sua avaliação sobre as reformas trabalhista e previdenciária?
Em momentos de recuperação econômica, como esse que vivemos, não é prudente uma reforma trabalhista, porque eu tenho muito receio desta sanha empresarial e deste mantra de que há um peso excessivo dos encargos sociais e que os trabalhadores têm direitos demais. Dentro do PT e na minha bancada vou trabalhar para não mexer em nada disso. Não estamos num momento de retirar direitos dos trabalhadores. Pelo contrário, há ainda a necessidade de se buscar em alguns campos para se garantir mais segurança para o trabalhador.

O que acha do movimento “Cansei”?
A população mais pobre morre nas filas dos hospitais, postos de saúde e ninguém fala que está cansado. Ninguém fala que está cansado de as famílias da periferia terem seus filhos assassinados. A concentração de renda no país é brutal e ninguém fala que está cansado. Com a concentração de terras ninguém está cansado. Esse movimento não é neutro, é partidário, contra o presidente Lula, contra o PT.

1.050 famílias recebem títulos de moradia

Matéria publicada em junho de 2008 no jornal Visão Oeste.

A prefeitura de Osasco entrega, neste sábado, 7, títulos de concessão de uso especial para fins de moradia a famílias de áreas livres nos bairros Vila dos Remédios e Munhoz Júnior. No último fim de semana foram entregues concessões no Jardim Santa Maria, Jardim Aliança (foto), Jardim Veloso e Jardim Cipava. No total, são 1.050 títulos entregues.

A iniciativa é parte do Programa de Regularização Fundiária, que tem apoio do governo federal. Legalmente, é o cumprimento do parágrafo primeiro do artigo 183 da Constituição Federal (com redação da Medida Provisória 2.220/2001). O dispositivo determina que os que viviam em terreno público há mais de cinco anos até 30 de junho de 2001 têm direito ao título.

Desde 2004, Osasco entregou cerca de três mil títulos, segundo a prefeitura. Famílias que não se enquadram na determinação federal também recebem as concessões, diferenciadas, mas com o mesmo valor legal. A meta da administração é entregar cinco mil documentos até o fim do ano.

“Muitas famílias já tinham direito à posse do terreno, mas não tinham segurança jurídica. Com o título, ela tem a garantia definitiva de posse. A pessoa passa a ter certeza de que não há risco de se perder o imóvel”, afirma o secretário de Habitação, Sérgio Gonçalves. “Com a situação legalizada, vai poder fazer financiamentos para a compra de materiais de construção e deixar a residência de herança, por exemplo.”

O secretário avalia que o empenho das cidades no cumprimento da Constituição pode ajudar a melhorar as condições habitacionais de favelas e áreas livres.

“Vou deixar uma casinha para meus filhos”

Vinda da Bahia há cerca de 20 anos “para tentar viver melhor” em São Paulo, Iracema Vital Maia, 48, chegou a Osasco com o marido e os quatro filhos em 1991.

Em 1993, a família comprou um terreno invadido no Jardim Aliança. “Aqui (o terreno) era meu só pela palavra da pessoa que vendeu”, conta.

O marido morreu em 1995 e Iracema continuou sozinha na luta para garantir que não correria o risco de perder a casa que contruiu. “Já perdi muitos dias de trabalho para participar das reuniões por moradia”, lembra.

Em frente à sua casa e o pequeno comércio na garagem que montou após deixar de trabalhar como empregada doméstica, ela mostra seu título de concessão. “Sempre lutei por isso. Agora vou poder deixar uma casinha para meus filhos.”

Vizinho de dona Iracema, o entregador Francisco Evilásio de Souza, 51, também comemora: “O título é a garantia de que ninguém vai te tirar, tomar o lugar onde você mora com sua família”.


Foto: Eduardo Metroviche

Furlan inaugura hospital em palanque de Serra

O prefeito de Barueri, Rubens Furlan (PMDB), inaugurou o Hospital Municipal da cidade nesta quinta-feira, 29, em evento que teve a presença do governador José Serra (PSDB), além de políticos do estado e da região.

O funcionamento do hospital começará por etapas. Segundo Furlan, em 2009 o hospital deve receber R$ 100 milhões, dos cerca de R$ 900 milhões previstos no Orçamento municipal. Administrado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), o hospital deve atender com 100% da capacidade (304 leitos) apenas em janeiro de 2009, segundo a prefeitura.

A partir de junho serão realizadas consultas, exames médicos e pequenas cirurgias. Atendimento hospitalar pelo período de um dia, só entre julho e agosto.

Segundo o prefeito de Barueri, a unidade deve atender moradores das cidades vizinhas. “Este (o hospital) é um patrimônio de toda a região Oeste da Grande São Paulo”, afirmou.

Furlan, que vinha criticando o governo estadual e federal por falta de apoio, comemorou a ajuda do estado, com recursos para a compra de equipamentos. “Há mais de dez anos eu não recebia oficialmente um governador em Barueri”, destacou.

Planalto

O prefeito e o governador assinaram ainda um convênio de R$ 30 milhões anuais do governo paulista para a manutenção da Faculdade de Tecnologia (Fatec - R$ 20 milhões) e Escola Técnica Estadual (Etec - R$ 10 milhões) de Barueri, que devem ser inauguradas em 2009.

Após agradecer a ajuda estadual, Furlan antecipou seu apoio ao governador paulista na próxima corrida presidencial, em 2010. “Que os seus caminhos se abram rumo ao Planalto. Eu vou lhe apoiar”, disse ele a Serra.

Foto: Eduardo Metroviche

Tênis não é esporte só de rico


Na quarta-feira, 14, Rodrigo de Souza Gomes, de 11 anos, fez sua primeira aula de tênis, no Parque Villa-Lobos, na capital. Renata de Jesus (foto) da mesma turma de Rodrigo. Já sonha em se tornar tenista profissional, “depois de aprender muito”. O exemplo das crianças é Gustavo Kuerten, o melhor tenista brasileiro da história. “O Guga é bom e, pelo que vejo na TV, é gente boa”, afirma Antonio de Souza, 10.

Apesar de o tênis ainda ser considerado um esporte “de elite”, Rodrigo, Renata e Antonio moram na periferia de Osasco e cursam a quarta série do ensino fundamental na Escola Municipal Alípio da Silva Lavoura, no Jardim d’Ávila.

As aulas de tênis a 28 crianças da rede municipal de ensino são fruto de parceria entre a prefeitura de Osasco e a ONG Bola Dentro, que ensina o esporte a jovens de famílias de baixa renda. “O tênis engrandece a pessoa e a deixa mais disciplinada”, avalia o coordenador técnico do projeto, Agostinho Martins de Carvalho, 55. “O esporte desenvolve a criança fisicamente e mentalmente e incentiva o convívio social.”

Na quadra, o jovem Antonio ainda se sentia um estranho no ninho. “Achava que tênis era só para rico.” Carvalho afirma que o tênis “ainda é um esporte elitizado, mas estamos tentando mudar isso”. Ele avalia ainda que outra forma de popularizar o esporte é a implantação de mais espaços públicos para sua prática.

Inclusão social

A inclusão social é um dos focos do projeto. “Preparo as crianças para trabalhar em tudo, dentro do tênis”, assegura Carvalho. O jovem Bruno Correia, por exemplo, da periferia da capital, começou no Bola Dentro há dois anos. Hoje, aos, ele trabalha no projeto e já disputou várias competições. “Nunca tinha nem imaginado jogar tênis. Agora, quero ser profissional. Se não der, quero ensinar, fazer o mesmo que fizeram comigo.”

As aulas de tênis ocorrem duas vezes por semana, no Parque Villa-Lobos. Um ônibus da prefeitura leva as crianças ao local. Para não atrapalhar o rendimento escolar, a turma é divida durante os treinos. Metade treina e os outros têm aulas em um espaço reservado do parque. “As crianças estão mais felizes e empolgadas em aprender”, conta a professora da classe, Nancy Franco, 35.
Foto: César Greco

Meninas de Taboão sonham com seleção e Europa


Janaína Souza conta que, aos nove anos, perdeu o receio e a vergonha de ter de aturar apelidos machistas, como “Maria-homem”, e começou a dar os primeiros chutes.


Estimulada pelo pai e a família, participava das “peladas” entre os meninos nas ruas e campos de terra do Parque Marabá, periferia de Taboão da Serra. “Tinha muita vontade de jogar futebol, mas tinha medo das piadinhas. Depois que comecei, não quis parar”, conta.


Hoje, aos 20 anos, ela é conhecida como “Jana”, atacante do time de futebol feminino de Taboão da Serra.


O time, mantido pela prefeitura, surgiu em abril de 2007. O técnico Marcelo Costa Onofre montou a equipe às pressas para a disputa do Campeonato Paulista de Futebol Amador, da Federação Paulista de Futebol Amador (FPFA), iniciado em 15 de junho.


Chegaram à segunda fase da competição estadual. Foram eliminadas com duas goleadas para o Saad/Itapira: 12 a 0 e 8 a 1. “O Paulista foi preparação para os Jogos Regionais”, justifica Onofre. Nos Jogos, o sexto lugar, entre oito clubes.


Os resultados não desanimaram. “O nível técnico é bom, mas falta bastante treino, para melhorar principalmente as partes física e tática”, avalia o treinador.


Incentivo


A medalha de ouro conquistada pelas meninas do Brasil no Pan do Rio de Janeiro serve de incentivo. “Todas queremos chegar onde elas chegaram”, sonha Jana. Segundo Onofre, os bons resultados da seleção feminina “acordaram” os brasileiros para o futebol feminino.

As atletas de Taboão dizem que o preconceito contra as mulheres no esporte bretão tem diminuído. Como os homens, elas sonham em brilhar nos campos europeus e repetir a atacante Marta, considerada a melhor jogadora do mundo, que joga na Suécia. “A gente nunca sabe não é?" diz, esperançosa, a lateral-direita Elisangela Santos, a San, de 21 anos.

As jogadoras taboanenses recebem transporte, refeição e uniforme da Secretaria de Esporte e Lazer. Atualmente, o elenco tem 23 jogadoras dos 15 aos 38 anos.

Foto: Eduardo Metroviche

A ‘nobre arte’ em Santana de Parnaíba

“Na vida, não importa o quanto você saiba bater, mas o quanto você agüenta apanhar e seguir lutando. É isso que faz um vencedor.” A frase de Rocky Balboa (Silvester Stalone), no último filme do maior boxeador da história do cinema, sai da ficção e inspira a realidade em Santana de Parnaíba. Por meio do boxe, dezenas de jovens tentam se defender dos “golpes” que a vida humilde e difícil pode trazer.

O boxe não transforma os meninos em brigões. “O que acontece é que ganham disciplina e muitas vezes deixam as ruas e melhoram na escola e em casa”, analisa o professor de boxe da secretaria Municipal de Atividades Físicas, Esporte e Lazer (Smafel), Jeferson Carvalho.

O sonho é seguir os passos de lutadores como Éder Jofre e Acelino “Popó” Freitas e se tornarem campeões na “nobre arte”. Diego Rodrigues (foto), de 21 anos, conta ter deixado um trabalho com registro em carteira para lutar boxe. “Se você não arriscar, não alcança seus objetivos. Pretendo chegar ao profissional.”

Diego começou a lutar aos 14 anos “para evitar ficar na rua, ter alguma coisa para fazer”. Hoje, compete como amador na categoria meio-médio-ligeiro (até 64 quilos) e já ganhou três medalhas, uma delas o bronze nos Jogos Abertos do Interior de 2007.

Atualmente, entre competidores amadores e pessoas que têm o boxe como hobby, mais de 100 atletas de todas as idades treinam nos três centros de treinamento municipais. "Tenho alunos com mais de 70 anos", diz o professor. Carvalho. Alguns, talvez com certo exagero, já denominam Parnaíba a “capital nacional do boxe”.

Revelação

“As outras cidades sempre contratam lutadores de outros lugares para representá-los. Nós formamos aqui”, justifica Carvalho. Segundo Diego, os lutadores parnaíbanos “são respeitados”. “Se os adversários sabem que vão enfrentar lutadores daqui, treinam mais.”

A principal revelação do boxe de Santana de Parnaíba é Carlos "Açougue" Nascimento, campeão latino-americano na categoria médio-ligeiro pela Organização Mundial de Boxe.

Foto: Eduardo Metroviche

Finasa Esportes comemora 20 anos

Matéria publicada na edição 236 do jornal Visão Oeste.


O Finasa Esportes comemorou 20 anos (cerca de 11 em Osasco) na terça-feira, 15, no ginásio José Liberatti, em Osasco, com o lançamento de um livro sobre a história do projeto e a apresentação da maquete de seu Centro Esportivo, que deve ser inaugurado em outubro, no Jardim Cipava.

Em parceria com a prefeitura, além do time adulto de vôlei (foto acima), o projeto mantém equipes de base dessa modalidade e basquete, além de 54 núcleos de formação (foto abaixo), que oferecem gratuitamente educação e noções de cidadania, saúde e bem-estar por meio do esporte a cerca de 3 mil meninas, cerca de 70% delas de famílias carentes.

“A parceria com o Finasa é vitoriosa na projeção do nome de Osasco para o Brasil inteiro e até fora do país e na promoção de inclusão social para milhares de meninas. Todos ganham”, avaliou o prefeito Emidio de Souza (PT).

O evento reuniu diversos nomes da história do projeto, desde a época em que era denominado BCN Esportes, como Magic Paula, do basquete, e, do vôlei, Ana Moser, Virna e Fernanda Venturini, além do técnico José Roberto Guimarães.

“Chega a ser algo pioneiro talvez até no mundo que, em algo que não seja futebol, uma empresa tenha permanecido tanto tempo no projeto e sempre na ponta”, destacou a ex-jogadora de basquete Paula.

Campeã Pan-Americana em 1991, em Havana e medalha de prata na Olimpíada de Atenas, em 1996, Magic Paula defendeu o extinto time profissional de basquete do então BCN/Osasco nos anos de 1999 e 2000, onde encerrou a carreira.

No último dia 19, o Finasa/Osasco perdeu a decisão da Superliga Feminina de Vôlei por 3 sets a 1 para o Rexona/Ades, do Rio de Janeiro. Foi a sétima decisão consecutiva da equipe osasquense na principal competição do vôlei nacional. O Finasa conquistou o tricampeonato da Superliga em 2002/2003, 2003/2004 e 2004/2005 e ficou com quatro vices.

Fotos: Luiz Pires/ZDL