Num pequeno ateliê, 70 crianças entre nove e 15 anos se divertem e aprendem a lidar com o que dificilmente teriam contato numa cidade carente como Carapicuíba, na Grande São Paulo: arte. É o projeto Vivendo Arte, implantado pelo delegado Wagner Lombisani, da delegacia seccional da Policia Civil no município.A participação é gratuita. Os alunos aprendem a fazer pinturas, esculturas em madeira e mosaicos, entre outras modalidades de arte. A participação é espontânea. “Eles vêm porque têm interesse”, diz Lombisani.
O aprendizado desperta os sonhos da garotada. O de Marcela Simionato, de 13 anos, é “vender os quadros em Paris e ser uma pintora famosa”. Vitor Augusto Batista, de nove anos, conta que planeja ser “desenhista de gibis e pintar quadros”.
“Depois que comecei a participar do projeto, melhorei na escola e passaram a me elogiar”, orgulha-se Vitor. Segundo Marcela, o Vivendo Arte evita que ela fique na rua, onde “tem muita violência, drogas e coisas que não prestam”, diz.
Para Lombisani, “é muito gratificante poder proporcionar que crianças humildes tenham contato com a arte, o que dificilmente teriam”, orgulha-se.
Renda
As obras produzidas são colocadas à venda e a maior parte da arrecadação vai para o aluno. Uma porcentagem é destinada à compra de materiais para o ateliê.
Prova do sucesso do Vivendo Arte foi a última edição do prêmio Museu da Arte Jovem, em 2006. Foram inscritos 10 alunos do ateliê e três ficaram entre os 80 finalistas.
Projeto começou por acasoTudo começou em 1999, quando Lombisani, com problemas cardíacos, foi aconselhado pelo médico a fazer uma atividade em que para fugisse da rotina policial. Escolheu a pintura.
Em 2001, ele entrou na faculdade de artes plásticas (concluída em 2005). Depois, junto ao colega de faculdade Paulo Leonardo Gonçalves, montou um ateliê em frente à delegacia onde trabalha e começou o projeto Arte na Segurança Pública, para fazer obras que “colorissem as paredes cinzas e humanizassem as delegacias”, diz.
Enquanto pintavam, Lombisani e Paulo deixavam as portas do ateliê abertas. Crianças começaram a se interessar e eles passaram a ensiná-las. Assim, há cerca de dois anos e meio, o Arte na Segurança Pública se tornou Vivendo Arte. No início eram 15 alunos. Hoje são 70.
Lombisani tira do próprio bolso o pagamento do aluguel, água e luz do ateliê. O projeto conta com quatro voluntários. Doações só são aceitas em materiais como pincéis e telas, “para ter transparência”.
Foto: Eduardo Metroviche

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