Depois da sanção do presidente Lula à lei que permite que as cidades adotem os mototáxis como meio de transporte alternativo de passageiros, Osasco e Taboão da Serra já se mostraram contrárias à ideia. “Queremos melhorar o transporte coletivo, não ter um meio perigoso e individualizado”, defende o secretário de Transporte e Trânsito de Taboão, Claudinei Pereira. Para o taboanense, adotar mototáxis em Taboão “seria uma irresponsabilidade”. “Temos seis acidentes de moto por dia na cidade, com os mototáxis esse número iria aumentar muito”, afirma.
O Secretário de Serviços Municipais osasquense, Fernando Montini lembra dos riscos e defende que "o sistema de transporte coletivo da cidade é suficiente para suprir a demanda", avalia. "não há necessidade.”
Já os responsáveis pelo trânsito de Barueri, Carapicuíba e Cotia dizem que vão estudar a possibilidade de sua implantação. “Se há amparo legal e for atender a comunidade, não tem por que não adotar”, defende Edson Santos, secretário de Segurança de Barueri (ao qual o Demutran é vinculado).
"Opção"
Segundo Santos, será feito um “estudo para ver se haveria aceitação da população”. O Secretário de Transporte e Trânsito de Carapicuíba, Sergio Soga, defende a geração de empregos pelo setor e diz que é também uma alternativa para o tráfego cada vez mais lento nas cidades. “Não cabem mais carros nas ruas, a opção é andar de moto”.
Em Cotia, o secretário de Transportes e Trânsito, Cláudio Olores, afirma que vai analisar a legislação das cidades que já adotaram os mototáxis “para estudar o assunto junto aos motociclistas e tomar uma decisão”.
Os secretários que admitem o sistema minimizam o perigo das motos. Edson Santos garante que, se a ideia avançar, “vai ser exigida a adequação a todas as normas de segurança”, diz. “A moto é hoje uma realidade, não dá para ignorar”. Soga avalia que “a quantidade de empregos gerados é maior que os riscos”.
10 mil novas mortes por ano
A Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet) é contra a regulamentação dos mototáxis. Em artigo no site da entidade, o médico Fernando Duarte Lopes Moreira diz que, “se o governo não afastar a ideia, podemos esperar, no mínimo, cerca de 10 mil novas mortes por ano” no país.
Moreira lembra que, atualmente, “apenas na cidade de São Paulo, todos os dias, dois motociclistas morrem. No Brasil, são 18 mortes por dia”. Moreira avalia que os setores que podem ser beneficiados com a medida são os “fabricantes de motos e peças, de caixões e cadeiras de rodas, funerárias e cemitérios”.
O projeto foi aprovado no Senado na quarta-feira, 8. Os profissionais da área terão de ter mais de 21 anos e, no mínimo, dois anos de habilitação em motos, entre outros itens. O funcionamento do serviço vai depender da autorização da cidade. A proposta aguarda sanção ou veto do presidente Lula.
*Matéria original publicada em julho no jornal Visão Oeste. Texto do blog teve atualizações. Foto de Eduardo Metroviche
