
Por pouco Paula Pequeno não seguiu carreira de modelo. A brasiliense começou a desfilar aos quatro anos de idade e era elogiada pela desenvoltura nas passarelas. Aos 12, sua altura chamou a atenção do técnico Jorge Gabiru, enquanto ela assistia a uma partida de vôlei em Brasília. Teve que escolher entre as passarelas e as quadras. Hoje a torcida brasileira comemora a decisão.
A recente conquista do ouro olímpico com a seleção brasileira em Pequim foi a maior glória da brilhante carreira da ponteira Paula Pequeno. Além de conquistar o ouro, ela foi escolhida a melhor jogadora, como ocorre em quase todas as competições que disputa.
Paula chegou ao Finasa/Osasco (ex-BCN) aos 15 anos. Na seqüência foi jogar em outras equipes e voltou em 1999. Uma das melhores jogadoras de vôlei do mundo, Paula é fundamental nas constantes conquistas da equipe, a última delas a Copa do Brasil, em setembro. “Sou vermelhinha de coração”, diz, em entrevista exclusiva ao jornal Visão Oeste.
Visão Oeste: Como se sentiu com a conquista do ouro em Pequim depois de ter ficado fora da Olimpíada de Atenas em devido a uma contusão?
Paula Pequeno: Na realidade foi um momento tão feliz na minha vida que nem penso no que foi ruim. Acho que foi uma etapa da minha vida, superei muito bem, e momento mais certo do que esse para ir a uma Olimpíada eu acho que não teve.
E a sensação de, além de campeã olímpica, ter sido eleita a melhor jogadora?
Eu sempre sonhei com a medalha olímpica, então esse prêmio veio como um presente a mais.
Você se considera uma das líderes da nova geração do vôlei feminino?
Na realidade, cada uma tem uma maneira de liderar. Todas ali dentro [da seleção] têm um grau de responsabilidade, de cobrança. Não tem uma que vá se sobressair por algum fator de liderança, o grupo inteiro sabe dividir essa responsabilidade, essa liderança.
É comum ver jogadoras das equipes infantis e juvenis imitando a sua tradicional faixa no cabelo. O que você gostaria de deixar de exemplo às próximas gerações?
Eu gostaria de deixar um exemplo de disciplina, de metas a cumprir, objetivos alcançados. Tudo isso na vida do atleta é primordial. Você sonhar, trabalhar e conseguir são as três etapas. Quero deixar muita coisa boa e tenho muito tempo ainda para fazer muita coisa boa.
E a sua relação com o Finasa/Osasco?
É sem palavras, sempre foi uma troca muito grande. Quando eu me machuquei, eles me deram total apoio, me recuperei até antes do previsto para dar retorno a eles. Quando engravidei, foram muito humanos comigo. Eu cheguei aqui com 15 anos, praticamente toda minha carreira está aqui, as fases boas, ruins. Sou eternamente grata por tudo, independentemente de eu estar aqui hoje ou de pensar em ficar mais ainda, e eu tenho certeza que eles também, porque sabem que eu sou vermelhinha de coração.
Recebe muitas propostas para trocar de clube? Houve sondagens depois da Olimpíada?
Acontecem especulações, mas a gente diz que não está em negociação e eu não quero nem ouvir, na minha opinião isso não é nem ético, talvez quando acabar a temporada, a gente tem empresário e um certo tempo para pensar nisso. É bom por um lado, dá segurança saber que tem oportunidades por aí, mas agora é Finasa na cabeça. Tenho contrato até maio.
Depois de derrotas na final nos dois últimos anos [para o Rexona-Ades/RJ], qual a expectativa do Finasa/Osasco para a próxima Superliga?
A expectativa é de vitória. O time está reforçado, está mais determinado do que nunca. A gente sabe, sonha e merece o título, está na nossa hora.
O que acha de ser considerada uma musa do vôlei nacional?
Não me considero, não. O público fala muito isso, acho que é uma demonstração de carinho. Prefiro ser reconhecida pela minha carreira, por tudo de bom que eu fizer dentro do vôlei.
Depois das conquistas do vôlei, acha que o Brasil deixou de ser apenas o país do futebol?
Não tem como acabar isso, o futebol é penta do mundo. A gente está caminhando, sem querer tomar nada do futebol porque tudo que eles têm é porque merecem e as pessoas têm que valorizar. Temos que aproveitar a nossa boa fase, os patrocinadores investirem no vôlei, para dar oportunidades.