Tênis não é esporte só de rico


Na quarta-feira, 14, Rodrigo de Souza Gomes, de 11 anos, fez sua primeira aula de tênis, no Parque Villa-Lobos, na capital. Renata de Jesus (foto) da mesma turma de Rodrigo. Já sonha em se tornar tenista profissional, “depois de aprender muito”. O exemplo das crianças é Gustavo Kuerten, o melhor tenista brasileiro da história. “O Guga é bom e, pelo que vejo na TV, é gente boa”, afirma Antonio de Souza, 10.

Apesar de o tênis ainda ser considerado um esporte “de elite”, Rodrigo, Renata e Antonio moram na periferia de Osasco e cursam a quarta série do ensino fundamental na Escola Municipal Alípio da Silva Lavoura, no Jardim d’Ávila.

As aulas de tênis a 28 crianças da rede municipal de ensino são fruto de parceria entre a prefeitura de Osasco e a ONG Bola Dentro, que ensina o esporte a jovens de famílias de baixa renda. “O tênis engrandece a pessoa e a deixa mais disciplinada”, avalia o coordenador técnico do projeto, Agostinho Martins de Carvalho, 55. “O esporte desenvolve a criança fisicamente e mentalmente e incentiva o convívio social.”

Na quadra, o jovem Antonio ainda se sentia um estranho no ninho. “Achava que tênis era só para rico.” Carvalho afirma que o tênis “ainda é um esporte elitizado, mas estamos tentando mudar isso”. Ele avalia ainda que outra forma de popularizar o esporte é a implantação de mais espaços públicos para sua prática.

Inclusão social

A inclusão social é um dos focos do projeto. “Preparo as crianças para trabalhar em tudo, dentro do tênis”, assegura Carvalho. O jovem Bruno Correia, por exemplo, da periferia da capital, começou no Bola Dentro há dois anos. Hoje, aos, ele trabalha no projeto e já disputou várias competições. “Nunca tinha nem imaginado jogar tênis. Agora, quero ser profissional. Se não der, quero ensinar, fazer o mesmo que fizeram comigo.”

As aulas de tênis ocorrem duas vezes por semana, no Parque Villa-Lobos. Um ônibus da prefeitura leva as crianças ao local. Para não atrapalhar o rendimento escolar, a turma é divida durante os treinos. Metade treina e os outros têm aulas em um espaço reservado do parque. “As crianças estão mais felizes e empolgadas em aprender”, conta a professora da classe, Nancy Franco, 35.
Foto: César Greco

Meninas de Taboão sonham com seleção e Europa


Janaína Souza conta que, aos nove anos, perdeu o receio e a vergonha de ter de aturar apelidos machistas, como “Maria-homem”, e começou a dar os primeiros chutes.


Estimulada pelo pai e a família, participava das “peladas” entre os meninos nas ruas e campos de terra do Parque Marabá, periferia de Taboão da Serra. “Tinha muita vontade de jogar futebol, mas tinha medo das piadinhas. Depois que comecei, não quis parar”, conta.


Hoje, aos 20 anos, ela é conhecida como “Jana”, atacante do time de futebol feminino de Taboão da Serra.


O time, mantido pela prefeitura, surgiu em abril de 2007. O técnico Marcelo Costa Onofre montou a equipe às pressas para a disputa do Campeonato Paulista de Futebol Amador, da Federação Paulista de Futebol Amador (FPFA), iniciado em 15 de junho.


Chegaram à segunda fase da competição estadual. Foram eliminadas com duas goleadas para o Saad/Itapira: 12 a 0 e 8 a 1. “O Paulista foi preparação para os Jogos Regionais”, justifica Onofre. Nos Jogos, o sexto lugar, entre oito clubes.


Os resultados não desanimaram. “O nível técnico é bom, mas falta bastante treino, para melhorar principalmente as partes física e tática”, avalia o treinador.


Incentivo


A medalha de ouro conquistada pelas meninas do Brasil no Pan do Rio de Janeiro serve de incentivo. “Todas queremos chegar onde elas chegaram”, sonha Jana. Segundo Onofre, os bons resultados da seleção feminina “acordaram” os brasileiros para o futebol feminino.

As atletas de Taboão dizem que o preconceito contra as mulheres no esporte bretão tem diminuído. Como os homens, elas sonham em brilhar nos campos europeus e repetir a atacante Marta, considerada a melhor jogadora do mundo, que joga na Suécia. “A gente nunca sabe não é?" diz, esperançosa, a lateral-direita Elisangela Santos, a San, de 21 anos.

As jogadoras taboanenses recebem transporte, refeição e uniforme da Secretaria de Esporte e Lazer. Atualmente, o elenco tem 23 jogadoras dos 15 aos 38 anos.

Foto: Eduardo Metroviche

A ‘nobre arte’ em Santana de Parnaíba

“Na vida, não importa o quanto você saiba bater, mas o quanto você agüenta apanhar e seguir lutando. É isso que faz um vencedor.” A frase de Rocky Balboa (Silvester Stalone), no último filme do maior boxeador da história do cinema, sai da ficção e inspira a realidade em Santana de Parnaíba. Por meio do boxe, dezenas de jovens tentam se defender dos “golpes” que a vida humilde e difícil pode trazer.

O boxe não transforma os meninos em brigões. “O que acontece é que ganham disciplina e muitas vezes deixam as ruas e melhoram na escola e em casa”, analisa o professor de boxe da secretaria Municipal de Atividades Físicas, Esporte e Lazer (Smafel), Jeferson Carvalho.

O sonho é seguir os passos de lutadores como Éder Jofre e Acelino “Popó” Freitas e se tornarem campeões na “nobre arte”. Diego Rodrigues (foto), de 21 anos, conta ter deixado um trabalho com registro em carteira para lutar boxe. “Se você não arriscar, não alcança seus objetivos. Pretendo chegar ao profissional.”

Diego começou a lutar aos 14 anos “para evitar ficar na rua, ter alguma coisa para fazer”. Hoje, compete como amador na categoria meio-médio-ligeiro (até 64 quilos) e já ganhou três medalhas, uma delas o bronze nos Jogos Abertos do Interior de 2007.

Atualmente, entre competidores amadores e pessoas que têm o boxe como hobby, mais de 100 atletas de todas as idades treinam nos três centros de treinamento municipais. "Tenho alunos com mais de 70 anos", diz o professor. Carvalho. Alguns, talvez com certo exagero, já denominam Parnaíba a “capital nacional do boxe”.

Revelação

“As outras cidades sempre contratam lutadores de outros lugares para representá-los. Nós formamos aqui”, justifica Carvalho. Segundo Diego, os lutadores parnaíbanos “são respeitados”. “Se os adversários sabem que vão enfrentar lutadores daqui, treinam mais.”

A principal revelação do boxe de Santana de Parnaíba é Carlos "Açougue" Nascimento, campeão latino-americano na categoria médio-ligeiro pela Organização Mundial de Boxe.

Foto: Eduardo Metroviche