Theodora e seus dois pais

Matéria publicada na revista Fórum em março de 2008.

Em outubro de 2006, Theodora se tornou a primeira criança adotada oficialmente por um casal homossexual masculino no Brasil, Vasco Pereira da Gama Filho, de 36 anos, e Dorival Pereira de Carvalho Júnior, 44. “Pai Vasco e pai Júnior”, para ela. Hoje, aos sete anos de idade, a menina já se acostumou a viver como uma verdadeira celebridade no município onde mora, Catanduva, no interior de São Paulo.

“Às vezes andamos no centro da cidade e fica todo mundo olhando para nós, pedem autógrafos, para bater fotos. Ela fala: ‘Pai, estão olhando para a gente. Acho que é por que eu tenho dois pais não é?’”, conta Vasco.

O cotidiano da família é comum, como de qualquer outra, atestam os pais. Durante a semana, Theodora acorda cedo para ir à escola particular onde cursa a primeira série. A família “diferente” da menina nunca causou estranhamento entre seus colegas de turma. “Estão descobrindo naturalmente que existem famílias com papai e mamãe, mamãe e mamãe, e papai e papai. Também nunca houve reação contrária por parte dos outros pais”, assegura Vasco.

Os pais de Theodora são bem-sucedidos cabeleireiros e colunistas sociais que vivem juntos há 15 anos. “Nosso relacionamento é como qualquer outro. A gente namorou, casou, construímos nossa casa, temos emprego e estabilidade financeira”, conta Vasco. A idéia de adoção vinha de quase uma década. “Tentamos entrar na fila em 1998, mas o juiz não autorizou alegando que se tratava de um relacionamento anormal”, lembra.

Em 2004, Vasco aproveitou a lacuna na Justiça brasileira, que desde a década de 1990 permitia apenas a adoção de crianças só por homossexuais “solteiros”, e se cadastrou na lista de possíveis pais. “Só quando não havia mais perigo de perdermos a guarda foi que o Júnior entrou com o pedido de reconhecimento de paternidade dele também.”

Exposição pública

O advogado Enézio de Deus da Silva Júnior, autor do livro A Possibilidade Jurídica da Adoção por Casais Homossexuais (Juruá Editora), explica que a adoção por apenas um dos membros do casal pode prejudicar a criança. “O filho fica descoberto de uma série de direitos. Pelo princípio constitucional de respeito à dignidade e pelo primado da igualdade, não há como desqualificar duas pessoas do mesmo sexo, que vivem juntas com estabilidade e perspectiva de vida, como um casal apto à adoção”, esclarece.

Antes de Vasco e Júnior adotarem Theodora, no mesmo ano, um casal de lésbicas de Bagé, no Rio Grande do Sul, conquistou o direito à adoção de duas crianças. Apesar de elas não terem se exposto, o caso “representou a abertura do Poder Judiciário para formar jurisprudência”, explica o advogado, servindo de referência futura para casos similares. Com relação a Theodora, segundo Silva Júnior, um dos principais pontos foi a exposição pública “extremamente importante para que outros tantos casais que se amam e desejam adotar em conjunto façam o mesmo”.

A psicóloga Anna Christina Cardoso de Mello, da Vara da Infância e da Juventude de São Paulo, diz que os riscos de crianças adotadas por casais homossexuais apresentarem problemas psicológicos são os mesmos de uma adotada por um casal heterossexual. “Vai depender de como o casal lida com isso. Se a criança questionar por que a família dela é diferente da dos colegas, eles têm que explicar. É preciso sempre haver o diálogo”, defende.

“A orientação sexual dos pais adotantes é irrelevante na formação integral dos filhos adotivos”, sustenta o antropólogo Luiz Mott, criador do Grupo Gay da Bahia. A opinião é compartilhada pela presidente do Grupo de Apoio à Adoção de São Paulo (Gaasp), Mônica Natale. “Só o que importa são as condições psicológicas e financeiras do casal, se têm condições de educar a criança com amor, carinho e proteção.”

Porém, 52% dos brasileiros ainda são contra a adoção por casais homossexuais, segundo pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha de abril de 2007. Para Mott, o fato reflete a “homofobia cultural e institucional no Brasil”, diz. “O preconceito contra adoção por homossexuais deve ser combatido por meio da educação sexual.”

Vasco e Júnior dizem nunca ter sentido discriminação. “Lógico que futuramente a Theodora pode sofrer algum preconceito, por falta de informação de outras pessoas. Porém, acho que ela não terá problemas pois já vai ter um conceito formado”, assegura Vasco.

Os dois afirmam que, por estarem entre os primeiros casais homossexuais a adotar, a responsabilidade sobre a criança é maior que a de um casal “comum”. “Qualquer coisa que acontecer com Theodora, problemas normais de criança e adolescente, vão dizer que é porque ela tem dois pais.”

Silva Júnior, que também é membro do Instituto Brasileiro do Direito da Família, diz que a sociedade precisa entender que o modelo familiar com pai, mãe e filhos mudou. “[A família] estará sempre em constante transformação e o que a diferencia e a sustenta é o sentimento do amor, que não é somente aptidão de pares de sexos opostos.”

Avanços no Judiciário
Para especialistas da área, nos últimos anos, os principais avanços nos direitos dos homossexuais no país têm surgido em função da atuação do Poder Judiciário. “O Judiciário tem sido a estrutura de Estado que mais contribuições vêm dando para a progressiva equiparação das uniões homoafetivas com as uniões heterossexuais, em termos de deferimentos dos diversos direitos familiares”, afirma Silva Júnior. Mott ressalta que também tem havido mudanças positivas em Legislativos estaduais e municipais, com a criação de datas pela conscientização em defesa dos homossexuais e o apoio oficial a paradas gays.

Porém, no Congresso Nacional, importantes pautas e discussões estão quase em ponto morto. “Quando a pauta são os direitos dos GLBT [gays, lésbicas, bissexuais e transexuais], por um lado, paira um silêncio e, por outro, surge o alarde infundado de bancadas que imaginam poder legislar com base em argumentos puramente doutrinário-religiosos”, critica Silva Júnior. “O que se mostra inacreditável em um Estado laico, que se afirma Democrático de Direito e garantidor do mesmo respeito e proteção a todos, sem distinção.”

Desde 2004, a Secretaria Especial dos Direitos Humanos (SEDH) tem o projeto Brasil Sem Homofobia, que consiste em atividades como seminários, congressos e pesquisas, em conjunto com ministérios, sociedade civil e governos estaduais e municipais para a elaboração de ações em defesa dos gays.

Este ano deve haver a I Conferência Nacional GLBT, a fim de propor políticas públicas aos homossexuais que, segundo o IBGE, são 10% da população. “O governo Lula tem demonstrado disposição em tirar o país da vergonhosa condição de campeão mundial de assassinatos de homossexuais, com um crime homofóbico a cada dois dias”, diz Mott. “Falta, porém, mais empenho em pressionar a base aliada para votar propostas a favor da cidadania homossexual que conti¬nuam paradas no Congresso.”

Entre as propostas à espera de votação, está a de criminalização da homofobia, da ex-deputada Iara Bernardi (PT-SP), em tramitação no Senado. O Projeto de Lei no 5003/01 prevê que seja considerado crime todo tipo de preconceito de gênero, sexo, orientação sexual e identidade de gênero.

No mundo
Por todo o mundo foram registrados avanços na questão relativa aos direitos dos homossexuais nos últimos meses. O mais recente foi no dia 10 de fevereiro, quando a Justiça israelense anunciou que o país vai reconhecer a adoção por casais homossexuais.

Em janeiro, em decisão inédita, o Tribunal Europeu de Direitos Humanos condenou a França por ter impedido uma mulher homossexual e sua companheira de realizarem uma adoção. O país foi condenado a pagar à denunciante € 10 mil (cerca de R$ 25 mil) por danos morais e cobrir as despesas judiciais, de € 14 mil.

No mesmo mês, o estado estadunidense de New Hampshire passou a reconhecer a união civil entre casais do mesmo sexo. Agora, os EUA têm seis estados que autorizam o matrimônio homossexual: Vermont, Connecticut, Califórnia, Nova Jersey, Massachusetts e New Hampshire.

Em dezembro de 2007, o Congresso uruguaio aprovou a lei da “união concubinária”. Com isso, o Uruguai se tornou o primeiro país latino-americano a legalizar o matrimônio entre gays. O mesmo tipo de lei já existe em algumas cidades latinas, como Buenos Aires, na Argentina, e Cidade do México.

Também em dezembro do ano passado, o Nepal passou a reconhecer os direitos dos gays. A Corte Suprema do país determinou ainda que o Executivo forme um comitê para estudar a possibilidade de permitir casamentos gays.

Pioneiros
Desde 1989, a Dinamarca passou a permitir a união civil a casais homossexuais, com os mesmos direitos dos casais heterossexuais. Em 1993 e 1994, Noruega e Suécia, respectivamente, fizeram o mesmo. Na Holanda, parceiros homossexuais podem se casar e adotar desde 2000.

Na Bélgica, o casamento homossexual é permitido desde 2003 e a adoção por casais homossexuais desde 2006. No Canadá e na Espanha, o casamento gay é permitido desde 2005.

Já o Irã vai no caminho oposto. Em setembro de 2007, o presidente Mahmoud Ahmadinejad afirmou, em evento na Universidade de Columbia, em Nova Iorque (EUA), que não existe homossexualidade em seu país. No país, a homossexualidade ainda é considerada crime.

Brancos e recém-nascidos
No Brasil, existem 8 mil crianças disponíveis para adoção, segundo o Instituto de Pesquisa Ecônomica Aplicada (Ipea). Não há contagem dos candidatos a adotantes em todo o país. Somente no estado de São Paulo, a estimativa é de que a fila de interessados em adotar tenha mais de 7 mil pessoas.

Mas, mesmo com tantos candidatos, o número de orfãos dificilmente diminui. Isso porque a maioria dos brasileiros interessados em adotar ainda prefere crianças brancas e recém-nascidas. De acordo com a ONG Associazone Amici Bambini (Ai.Bi), 72% preferem crianças brancas, sendo que 67% gostariam de um bebê de no máximo seis meses. E cerca de 99% adotam crianças de até um ano de idade.

“Tem que acabar com esse preconceito. Deve haver maior conscientização por parte dos interessados em adotar, pois esse não é o perfil da maioria dos que estão à espera de adoção”, diz a presidente do Grupo de Apoio à Adoção de São Paulo (Gaasp), Mônica Natale.

Não há, no Brasil, números oficiais sobre o assunto. Especialistas estimam que o país tenha cerca de 600 instituições de abrigo para menores e que mais de 60% dos abrigados sejam afro-decendentes e tenham entre sete e 15 anos.

Até junho deste ano deve começar a funcionar o Cadastro Nacional de Adoção, um banco de dados que inclui crianças e jovens adotáveis e pessoas interessadas em adotar. “É um absurdo que tenhamos conhecimento de quantos estabelecimentos bancários há no país e não saibamos quantas crianças vivem em situação de abandono nos abrigos municipais, estaduais e governamentais”, disse à Radiobrás o titular da 1ª Vara da Infância e da Adolescência do Rio de Janeiro, Siro Darlan de Oliveira.

Regras
A adoção é regulamentada no país pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) – Lei nº 8.069/90. Tem caráter irrevogável e dá à criança ou adolescente adotado todos os direitos de um filho biológico, inclusive a herança.
• Só é permitida a adoção de crianças e jovens de até 18 anos;
• Maiores de 18 anos podem adotar, mas devem ser, no minímo, 16 anos mais velhos do que o adotado;
• A adoção é irrevogável;
• O candidato deve comprovar capacidade de adoção, por meio de estudo psicossocial.

"Mídia faz o papel que a oposição não consegue", diz João Paulo Cunha

Entrevista publicada em setembro de 2007 no jornal Visão Oeste.

Na segunda-feira, 17, o deputado federal João Paulo Cunha (PT-SP) recebeu a reportagem do Visão Oeste em seu escritório, em Osasco. Na entrevista, falou dos processos que tem contra si no Supremo Tribunal Federal e no Ministério Público Federal.O deputado também avaliou a atual conjuntura política, disse ser “meio inevitável que uma candidatura própria [do PT] ganhe força” para as eleições presidenciais em 2010 e explicou por que é favorável à CPMF.

Visão Oeste: Qual sua avaliação do 3º Congresso do PT?
João Paulo Cunha: O 3º Congresso foi convocado num momento de crise do partido. Tinha uma expectativa de tentar renovar um pouco a base teórica que já vinha carregando há alguns anos e cumpriu parte disso. Discutiu um pouco o socialismo, a estrutura partidária e o Brasil que queremos. Eu acho que correspondeu um pouco às nossas expectativas, não exatamente aquilo que nós imaginávamos, porque também a crise já se tinha superado em grande medida. Então, o Congresso baixou um pouco a temperatura e perdeu um pouco no conteúdo.

O senhor é a favor de o PT lançar candidato próprio ou apoiar alguém da base aliada na eleição presidencial de 2010?
Essa é uma discussão que deve ser tratada com cuidado, porque nós queremos, como preliminar, a manutenção dessa base de apoio ao governo, essa aliança que tem sustentado o governo do presidente Lula, PCdoB, PSB, PDT, PMDB, PP, PR. Agora, é muito difícil o PT não ter candidato. É meio inevitável que uma candidatura própria ganhe força, densidade eleitoral.

O deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) já sinalizou que não deve abrir mão da candidatura. Isso pode gerar um racha na base?
O Ciro Gomes é um bom nome, um nome considerável e de um partido que historicamente é nosso aliado. Não acho prudente colocar nada de forma peremptória, definitiva. Nem o PT deve afirmar que quer um candidato dele e ponto, e ninguém deve falar que é candidato e ponto. A gente tem que discutir.

Como deputado federal mais votado do partido, pretende lançar candidatura?
Minha primeira prioridade hoje é me defender. A segunda é ajudar o companheiro Emidio [de Souza, prefeito de Osasco], que faz uma boa gestão. Não há nenhuma expectativa eleitoral maior. A gente tem que prestar atenção porque haverá muitas surpresas em 2010. Certamente Emidio vai chegar numa situação muito confortável. Tenho fé que vai se reeleger [em 2008], fará um bom governo e vamos ter um quadro renovado para 2010, quer seja para senador ou governador.

Então Emidio pode ser candidato ao governo ou ao senado em 2010?
O Emidio é uma estrela em ascensão no PT. É um companheiro agora com uma experiência política em administração. É um nome que certamente o PT considerará não somente para governador, mas para os desafios que são demandados para o futuro ao partido.

Como avalia a acusação de seu envolvimento no chamado “mensalão”?
Tenho a ação do Supremo Tribunal Federal, no processo denominado “mensalão”, e o processo no Ministério Público Federal, que é uma denúncia de improbidade administrativa. Estou seguro de que o tempo mostrará quem de fato tem responsabilidade e culpa ou não. Eu e somente eu sei o que fiz e o que deixei de fazer. Tenho absoluta consciência de que não fiz nada errado, não me apropriei de nada público. A crise que nós vivemos é fruto de nosso sistema eleitoral, da forma de financiar campanha e é exatamente por isso que estou envolvido. Espero que a Justiça me absolva e que na época da minha absolvição a imprensa dê o mesmo destaque que ela deu neste momento [da acusação].

O senhor disse à revista Fórum que o sistema eleitoral é vulnerável e é necessário criar mecanismos para impedir a prática de Caixa 2. Quais seriam esses mecanismos?
Não há nenhum modelo que seja absolutamente imune. Mas, na minha opinião, o melhor é o sistema público de financiamento de campanha. E que haja um teto nacional de gasto e uma prestação de contas periódica. O financiamento público de campanha reduziria substancialmente o Caixa 2 e daria muito mais liberdade e independência para os eleitos.

Por que é favorável à prorrogação da CPMF?
A reclamação [sobre a CPMF] do ponto de vista de parte da população é em relação ao tamanho da carga tributária, que de fato é grande e nós temos que nos preocupar em fazer um programa para ela ir paulatinamente reduzindo. A CPMF não é um imposto ruim. É um imposto que não dá para sonegar e incide fundamentalmente sobre aqueles que têm um pouco mais de recursos. Veja bem, uma pessoa que movimenta mensalmente R$ 2 mil no banco, paga R$ 7,00 de CPMF. Então, não é um imposto muito forte e tem tido uma importância muito grande aos programas do governo.
Atualmente, como avalia a postura da grande imprensa?
A imprensa tem adotado uma posição quase partidária. Se dependesse da grande imprensa, o PT teria acabado e o Lula teria sido derrotado. Aquela faixa na comemoração da vitória do Lula na Paulista era e é uma frase emblemática: “o povo derrotou a mídia”. É verdade, a mídia continua fazendo o papel que a oposição não consegue fazer. Coloca o assunto e depois transforma o assunto como se fosse da opinião publica. Ela fala o assunto, repercute e vai retroalimentando. Com um agravante: parte da mídia hoje tem alimentado um sentimento preconceituoso, racista, contra o PT, contra o Lula.

Qual pode ser o papel da TV pública nesse cenário?
Pode apresentar uma grade de programação, uma linha editorial que não seja estatal, que não seja chapa-branca, não pode ser isso, mas que seja no sentido de informar a população de forma mais cristalina, límpida, que nem sempre a gente tem em outros canais que, via de regra, têm seus interesses. A TV pública, insisto nisso, não pode ser estatal, oficial, órgão do governo.

Como está o processo para a construção de Universidade Federal em Osasco?
Está em estágio bastante avançado. Semana passada tive uma informação do ministro da Defesa de que aquela operação que passa uma parte do terreno do Exército (localizado no Alto do Farol, zona Sul de Osasco) para a Educação está em andamento ágil.

E as tão faladas reformas trabalhista, previdenciária, tributária, sindical e política na Câmara?
A minha impressão é de que não tende a sair, pelo menos neste ano. O que está um pouquinho mais avançado é a reforma sindical, com o reconhecimento das centrais sindicais, que distribui um pouco os recursos dando capacidade e condições para estruturar as centrais nos estados, no plano nacional e os próprios sindicatos. Mas também acho difícil ser votada ainda este ano.

Qual sua avaliação sobre as reformas trabalhista e previdenciária?
Em momentos de recuperação econômica, como esse que vivemos, não é prudente uma reforma trabalhista, porque eu tenho muito receio desta sanha empresarial e deste mantra de que há um peso excessivo dos encargos sociais e que os trabalhadores têm direitos demais. Dentro do PT e na minha bancada vou trabalhar para não mexer em nada disso. Não estamos num momento de retirar direitos dos trabalhadores. Pelo contrário, há ainda a necessidade de se buscar em alguns campos para se garantir mais segurança para o trabalhador.

O que acha do movimento “Cansei”?
A população mais pobre morre nas filas dos hospitais, postos de saúde e ninguém fala que está cansado. Ninguém fala que está cansado de as famílias da periferia terem seus filhos assassinados. A concentração de renda no país é brutal e ninguém fala que está cansado. Com a concentração de terras ninguém está cansado. Esse movimento não é neutro, é partidário, contra o presidente Lula, contra o PT.

1.050 famílias recebem títulos de moradia

Matéria publicada em junho de 2008 no jornal Visão Oeste.

A prefeitura de Osasco entrega, neste sábado, 7, títulos de concessão de uso especial para fins de moradia a famílias de áreas livres nos bairros Vila dos Remédios e Munhoz Júnior. No último fim de semana foram entregues concessões no Jardim Santa Maria, Jardim Aliança (foto), Jardim Veloso e Jardim Cipava. No total, são 1.050 títulos entregues.

A iniciativa é parte do Programa de Regularização Fundiária, que tem apoio do governo federal. Legalmente, é o cumprimento do parágrafo primeiro do artigo 183 da Constituição Federal (com redação da Medida Provisória 2.220/2001). O dispositivo determina que os que viviam em terreno público há mais de cinco anos até 30 de junho de 2001 têm direito ao título.

Desde 2004, Osasco entregou cerca de três mil títulos, segundo a prefeitura. Famílias que não se enquadram na determinação federal também recebem as concessões, diferenciadas, mas com o mesmo valor legal. A meta da administração é entregar cinco mil documentos até o fim do ano.

“Muitas famílias já tinham direito à posse do terreno, mas não tinham segurança jurídica. Com o título, ela tem a garantia definitiva de posse. A pessoa passa a ter certeza de que não há risco de se perder o imóvel”, afirma o secretário de Habitação, Sérgio Gonçalves. “Com a situação legalizada, vai poder fazer financiamentos para a compra de materiais de construção e deixar a residência de herança, por exemplo.”

O secretário avalia que o empenho das cidades no cumprimento da Constituição pode ajudar a melhorar as condições habitacionais de favelas e áreas livres.

“Vou deixar uma casinha para meus filhos”

Vinda da Bahia há cerca de 20 anos “para tentar viver melhor” em São Paulo, Iracema Vital Maia, 48, chegou a Osasco com o marido e os quatro filhos em 1991.

Em 1993, a família comprou um terreno invadido no Jardim Aliança. “Aqui (o terreno) era meu só pela palavra da pessoa que vendeu”, conta.

O marido morreu em 1995 e Iracema continuou sozinha na luta para garantir que não correria o risco de perder a casa que contruiu. “Já perdi muitos dias de trabalho para participar das reuniões por moradia”, lembra.

Em frente à sua casa e o pequeno comércio na garagem que montou após deixar de trabalhar como empregada doméstica, ela mostra seu título de concessão. “Sempre lutei por isso. Agora vou poder deixar uma casinha para meus filhos.”

Vizinho de dona Iracema, o entregador Francisco Evilásio de Souza, 51, também comemora: “O título é a garantia de que ninguém vai te tirar, tomar o lugar onde você mora com sua família”.


Foto: Eduardo Metroviche

Furlan inaugura hospital em palanque de Serra

O prefeito de Barueri, Rubens Furlan (PMDB), inaugurou o Hospital Municipal da cidade nesta quinta-feira, 29, em evento que teve a presença do governador José Serra (PSDB), além de políticos do estado e da região.

O funcionamento do hospital começará por etapas. Segundo Furlan, em 2009 o hospital deve receber R$ 100 milhões, dos cerca de R$ 900 milhões previstos no Orçamento municipal. Administrado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), o hospital deve atender com 100% da capacidade (304 leitos) apenas em janeiro de 2009, segundo a prefeitura.

A partir de junho serão realizadas consultas, exames médicos e pequenas cirurgias. Atendimento hospitalar pelo período de um dia, só entre julho e agosto.

Segundo o prefeito de Barueri, a unidade deve atender moradores das cidades vizinhas. “Este (o hospital) é um patrimônio de toda a região Oeste da Grande São Paulo”, afirmou.

Furlan, que vinha criticando o governo estadual e federal por falta de apoio, comemorou a ajuda do estado, com recursos para a compra de equipamentos. “Há mais de dez anos eu não recebia oficialmente um governador em Barueri”, destacou.

Planalto

O prefeito e o governador assinaram ainda um convênio de R$ 30 milhões anuais do governo paulista para a manutenção da Faculdade de Tecnologia (Fatec - R$ 20 milhões) e Escola Técnica Estadual (Etec - R$ 10 milhões) de Barueri, que devem ser inauguradas em 2009.

Após agradecer a ajuda estadual, Furlan antecipou seu apoio ao governador paulista na próxima corrida presidencial, em 2010. “Que os seus caminhos se abram rumo ao Planalto. Eu vou lhe apoiar”, disse ele a Serra.

Foto: Eduardo Metroviche