A Feira de Artes e Artesanato começou em 31 de janeiro de 1969, com alguns hippies que expunham os trabalhos em plásticos no chão, aos sábados, no Largo dos Jesuítas. Hoje é uma dos maiores eventos do gênero no Estado. Ao longo de 12 ruas e vielas do Centro Histórico, em uma área de cerca de 36 mil metros quadrados, mais de 600 expositores mostram seu trabalho, principalmente nos fins de semana e feriados, quando atraem entre 10 mil e 20 mil visitantes de várias cidades do Brasil e até do mundo, segundo a Secretaria Municipal de Turismo.
Os produtos e preços são diversos: sandálias, brinquedos, esculturas, móveis em madeira, quadros, camisetas, vestidos, todo tipo de artesanato.
Um dos artesãos é Ayrton Duarte, 51. Formado em administração, “abandonou” o diploma depois que começou a se interessar pelo artesanato. Aprendeu sozinho a fazer anéis e brincos de prata, que fabrica no atelier de sua casa, em Itatuba, no Embu, e vende há 20 anos. “É um meio de subsistência para muita gente e um excelente atrativo aos turistas”, diz.
“Sempre venho aqui [na feira]. Além de oferecer produtos diferenciados, pois são artesanais, o local é muito gostoso”, elogia a secretária Alaír Leôncio, de Osasco. A assistente administrativa Tina de Carvalho viajou de Cruzeiro, interior de São Paulo, para conhecer. "Valeu a pena, a feira é incrível. Em breve pretendo comprar móveis para minha casa aqui."
O evento é administrado por um conselho gestor em parceria com a Secretaria de Turismo, tem uma legislação própria e regulamento interno.
Ray, um dos pioneiros
O pintor Raimundo Emídio Rodrigues, o Ray, 59, foi um dos pioneiros na Feira de Artes e Artesanato de Embu. Ele conta que a história da Feira começou na Praça da República, no centro de São Paulo. “No início dos anos 60, as classes média e pobre não tinham acesso à arte. Na Praça da República, alguns artistas hippies deixaram os ateliês e foram às ruas. Isso foi uma revolução artística”, explica.
“Embu já era uma cidade de artes, havia o [ceramista] Sakai, o [escultor] Assis etc”. Ray conta que Assis conheceu a Feira e convidou os hippies para expor em Embu aos sábados. No inicio, era em frente ao Museu da Arte Sacra, no Largo dos Jesuítas. Os artistas expunham em plásticos no chão. “Você chegava, expunha, dormia na calçada e domingo ia à Praça da República”.
Anos depois, artistas passaram – inclusive latino-americanos fugindo das ditaduras em seus países – a morar na cidade e expor também aos domingos. “Aprendemos muito com nossos irmãos latinos”, diz Ray.
Foto: Joice Oliveira

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