Poesia periférica

"Eis-me aqui, poeta invisível e colecionador de pedras, pedindo licença pra jogar areia nos teus olhos (...) Contando a minha e outras histórias desse povo lindo e inteligente que vive na periferia”, apresenta-se o poeta Sérgio Vaz em seu recém-lançado livro Colecionador de Pedras – Antologia Poética (Global Editora). 

Vaz acaba de lançar a obra (antes vendida de forma independente), com textos consagrados durante os 20 anos de sua carreira, além de poemas inéditos, e
Cooperifa – Antropofagia Periférica (Editora Aeroplano), sobre sua trajetória e o sarau da Cooperativa de Poetas da Periferia (Cooperifa).

O poeta é um dos idealizadores e coordenador do Sarau da Cooperifa, um “quilombo cultural”, define, surgido em 2001 no bar Garajão, em Taboão da Serra, cidade onde Vaz vive há 15 anos e é tema de um dos poemas de
Colecionador... (leia 
aqui).

A escolha do bar como cenário se deu porque “é o único espaço público na periferia”, explica. “Não tem museu, não tem cinema, então transformamos o bar num espaço cultural.”

Cooperifa
No início, lembra o poeta, eram cerca de 17 poetas declamando poema de própria autoria ou de outros autores. “O pessoal no bar não entendia nada”. O projeto cresceu, atraiu no-
vos amantes da poesia e poetas. Segundo Vaz, já foram lançados cerca de 40 livros de autores da Cooperifa. 

“A gente trouxe uma novidade para a senzala. O pessoal pensava que poesia era coisa de louco, uma coisa melancólica”, diz. Hoje, o sarau é realizado todas as noites de quarta-feira no bar do Zé Batidão, na Chácara Santana, zona Sul de São Paulo, e reúne cerca de 300 pessoas: operários, costureiras, motoristas, motoboys, mecânicos...

A Cooperifa se tornou referência no movimento definido por Sérgio Vaz como “literatura periférica” e inspirou o surgimento de dezenas de saraus pelo país. 

Além do sarau e dos dois livros recém-lançados, o “colecionador de pedras” é autor de outras cinco obras (edições independentes) e está por trás de diversos projetos culturais. “Enquanto capitalizam a realidade eu socializo meus sonhos”, declara.

Um comentário:

Gledson Vinícius disse...

Olá, gostaria de te apresentar um blog (que virou Fanzine) que tem com asunto o subúrbio do rio de janeiro. www.visaosuburbana.com