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Janaína Souza conta que, aos nove anos, perdeu o receio e a vergonha de ter de aturar apelidos machistas, como “Maria-homem”, e começou a dar os primeiros chutes.
Estimulada pelo pai e a família, participava das “peladas” entre os meninos nas ruas e campos de terra do Parque Marabá, periferia de Taboão da Serra. “Tinha muita vontade de jogar futebol, mas tinha medo das piadinhas. Depois que comecei, não quis parar”, conta.
Hoje, aos 20 anos, ela é conhecida como “Jana”, atacante do time de futebol feminino de Taboão da Serra.
O time, mantido pela prefeitura, surgiu em abril de 2007. O técnico Marcelo Costa Onofre montou a equipe às pressas para a disputa do Campeonato Paulista de Futebol Amador, da Federação Paulista de Futebol Amador (FPFA), iniciado em 15 de junho.
Chegaram à segunda fase da competição estadual. Foram eliminadas com duas goleadas para o Saad/Itapira: 12 a 0 e 8 a 1. “O Paulista foi preparação para os Jogos Regionais”, justifica Onofre. Nos Jogos, o sexto lugar, entre oito clubes.
Os resultados não desanimaram. “O nível técnico é bom, mas falta bastante treino, para melhorar principalmente as partes física e tática”, avalia o treinador.
Incentivo
A medalha de ouro conquistada pelas meninas do Brasil no Pan do Rio de Janeiro serve de incentivo. “Todas queremos chegar onde elas chegaram”, sonha Jana. Segundo Onofre, os bons resultados da seleção feminina “acordaram” os brasileiros para o futebol feminino.
As atletas de Taboão dizem que o preconceito contra as mulheres no esporte bretão tem diminuído. Como os homens, elas sonham em brilhar nos campos europeus e repetir a atacante Marta, considerada a melhor jogadora do mundo, que joga na Suécia. “A gente nunca sabe não é?" diz, esperançosa, a lateral-direita Elisangela Santos, a San, de 21 anos.
As jogadoras taboanenses recebem transporte, refeição e uniforme da Secretaria de Esporte e Lazer. Atualmente, o elenco tem 23 jogadoras dos 15 aos 38 anos.
Foto: Eduardo Metroviche

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