
Jardim Rochdale, periferia de Osasco. Faz frio na noite de sábado, 27 de setembro de 2008. Mas o calor humano aquece a multidão de cerca de 20 mil pessoas. O barulho de um helicóptero chegando é o sinal: “Ele chegou!”. Gritos, bandeiras agitadas e até mesmo olhos marejados. “É uma emoção que não dá para explicar”, diz a funcionária pública Otaciano Araújo.
É ele mesmo. “Nunca antes na história desse país”, diria o próprio, um nordestino de origem humilde, ex-operário, ex-sindicalista, foi tão importante e querido. Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente Lula.
O fenômeno Lula não pode ser explicado apenas por números frios de pesquisas que indicam a aprovação do governo e da pessoa do presidente. No comício do dia 27, como em muitos outros, o discurso em linguagem popular é ouvido com atenção. Com a perna quebrada, Otaciana se equilibra com a ajuda de muletas para acompanhar. “Para ver o Lula vale tudo. Já fui até em Brasília, na posse dele. Ele é um mestre”, diz.
A dona de casa Carmem Peixoto, 58, define Lula como “um homem maravilhoso”. “Adoro ele, é simples e está com o povo pobre”, explica. “O Lula é igual a nós”, completa o porteiro Ronaldo Reis, 31, comemorando o fato de ter ficado “pertinho do Lula, a menos de 15 metros dele”.
Não faltam supostas histórias inesquecíveis junto ao presidente. “Nas greves em São Bernardo eu estava com o Lula, até já tomei cachaça com ele”, gaba-se o metalúrgico Luiz Pereira da Silva, 53. A diarista Ana Maria de Souza, 60, afirma que “trabalhava na mesma fábrica que o Lula quando ele perdeu o dedo, que prendeu na máquina”. Otaciana não esquece de ter comido coxinha com Lula no bar, há 20 anos, garante.
Fim do comício. A multidão diminui aos poucos, mas a rua continua cheia. “Quero dar tchau para ele”, diz Carmem. O helicóptero sobe, acompanhado de centenas de acenos. Lula se vai. Os cerca de 50 minutos perto do presidente metalúrgico ficarão para a história dos milhares de fãs presentes ao comício.
80% de aprovação
A atuação de Lula como presidente obteve 80% de aprovação, segundo a última pesquisa CNI/Ibope, divulgada no dia 29. O levantamento aponta ainda que o governo Lula é aprovado por 69% da população.
É a melhor avaliação desde a posse e a segunda melhor da série histórica, apenas três pontos percentuais abaixo dos 72% obtidos pelo governo Sarney em 1986. A pesquisa revela ainda que o governo Lula alcançou a maior nota média desde seu início: 7,4.
O levantamento foi realizado entre 19 e 22 de setembro e ouviu 2.002 pessoas em 141 cidades. A margem de erro é de 2%.
A última pesquisa CNT/Sensus, divulgada no dia 22, tem resultados semelhantes. Segundo o levantamento, a aprovação pessoal de Lula é de 77,7% e o governo federal é aprovado por 68,8% da população. A margem de erro é de 3%.
A pesquisa avalia que as principais razões para os bons índices obtidos por Lula e seu governo são “principalmente os bons números da economia e os resultados obtidos pelos programas sociais do governo”.

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