Motociclismo e conscientização


No Dia Internacional da Mulher, o I Encontro de Mulheres de Moto Clubes e Motogirls de Osasco e Região reuniu dezenas de apaixonadas por motocicletas no Jardim Piratininga, em Osasco. O evento teve shows de bandas de rock e conscientização, com palestras sobre temas do universo feminino, como câncer de mama e a Lei Maria da Penha.

“O objetivo é conscientizar e valorizar a mulher dentro do motociclismo”, disse organizadora do evento, Mirtes Fontes, 53, que também preside o Conselho Municipal de Mulheres. “É um evento para ajudar a quebrar as barreiras e preconceitos contra as mulheres motociclistas”, avaliou a professora de artes Elisabeth Domingues, 53.

Preconceito que tem diminuído, mas ainda existe. “Às vezes por parte das próprias mulheres”, conta Elisabeth. “Talvez pelo visual, que chama a atenção”, avalia, trajando bota, calça jeans, óculos escuros e o enfeitado colete com o brasão do moto clube Street Sharks.

Mas ela diz que as mulheres vêm conquistando seu espaço. “Inclusive hoje fazem motos e itens exclusivos para mulheres”, observa. O encontro foi realizado por sete moto clubes osasquenses: Delta, Renegados, Street Sharks, Místicos, Fênix, Maluco Beleza e Full Time.

Paixão pela “sensação de liberdade”

Mirtes e a advogada Fátima Vilas Boas, 38, primeira-dama do Delta Moto Clube, são garupeiras e fazem coro ao se dizerem apaixonadas “pela sensação de liberdade que a moto dá”. Já Elisabeth, Betinha para os amigos e companheiros motociclistas (foto), encara a estrada e o trânsito pesado das cidades pilotando. “Tenho carro, mas não curto.”

Betinha tem 53 anos e sempre foi fã de moto. “Viajei muito na garupa e fui pegando amor”, conta. Há três anos, quando fez 50, se deu uma moto invocada e a carteira de habilitação de presente. “Andar de moto é um tesão, uma coisa inexplicável”, diz.

“Selvagens” de bom coração

As mulheres dizem que os moto clubes são bem diferentes do que costuma ser retratado no cinema. Afirmam que por trás do visual extravagante, com roupas pretas e ornamentos muitas vezes sinistros, como caveiras, há gente de bom coração.

“A visão que muitos têm dos moto clubes, com homens viciados em álcool e drogas e vagabundos, é totalmente equivocada”, afirma Mirtes. Elas contam que os moto clubes reúnem pessoas de diversas profissões e têm preocupação social. Nas festas, são arrecadados itens alimentos, roupas e brinquedos para instituições beneficentes.

Os moto clubes não são simplesmente gente com roupas e coletes iguais que viajam junto. Têm toda uma filosofia, respeito à tradição e regras. Deslizes, como desrespeitar as leis de trânsito, podem levar à perda do colete.

* Foto: Eduardo Metroviche
*Jornal Visão Oeste

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